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Kaspar Hauser

Durante a sempre boa discussão do GDS (na sexta de ontem sobre texto de Norbert Elias, na próxima sobre Michel Villey), conversamos sobre o caso de Kaspar Hauser, o célebre caso da criança selvagem que foi educada e “civilizada” no século XIX. O fato mereceu muita atenção na época e rendeu um lindo filme de Werner Herzog, embora tenha se perdido o sentido ácido do título original – “Jeder für sich ung Gott gegen alle”, ou “Cada um por si e Deus contra todos”.

Vamos a alguns links bons. Primeiro, a autobiografia do Kasper traduzida em português (créditos ao esforço do blogueiro):

http://www.kasparbio.blogspot.com/

Texto acadêmico bastante simples e elucidativo dos grandes problemas derivados da história:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-65642001000200007&script=sci_arttextt

Por fim, o filme todo em 11 partes pelo Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=2m0GVRpl5dA

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Imagem do mês

Pelo debate sobre Herzog e por um monte de outras razões, essa é a foto do mês de fevereiro. Isso é persistência.

Ainda sobre Herzog

Numa resposta a um comentário sobre o post de Vício Frenético, acabei falando um bocado sobre Herzog e meus favoritos dele. Aí vai:

“Todo filme de Herzog é assim, e esse nem foi o melhor. O filme nem é do cara e ele consegue deixar claro qual é a visão bizarra dele sobre as pessoas e jogar o olhar meio desprezível de sempre sobre tudo.

Para mim, a ordem é essa:

1) Fitzcarraldo: atuação psicótica de Klaus Kinski no meio da mata com uma missão doentia. Meu filme motivacional de estimação, o conceito de dificuldade de qq um muda depois de vê-lo. É um dos filmes mais humanos que conheço.

2) Homem Urso: documentário baseado em imagens filmadas por um ambientalista que vivia metade do ano entre os ursos numa reserva florestal americana. Gostava tanto que terminou comido por um. A desconstrução que Herzog opera é, no mínimo, curiosa.

3) Aguirre, a Cólera dos Deuses: novamente com Kinski, é a megalomania levada ao limite.

E olha que perdi O Sobrevivente, com Christian Bale, nunca vi Woyzeck e muita coisa só está disponível pela internet. Quero me dedicar mais a ele no futuro, mas por enquanto fiquei com essa briga antológica que está no Meu melhor inimigo, filme de Herzog sobre seu melhor ator:

Vício frenético

Pelas reações no cinema após a sessão e alguns comentários por fora, só eu e alguns poucos gostaram de Vício Frenético, esse filme estranho de Werner Herzog que é, na verdade, um remake de Abel Ferrara (esse eu não vi). Como esse alemão genial é um dos meus diretores favoritos e autor de obras geniais como Fitzcarraldo, nem fiquei muito impressionado. E olhe que eu odiava as atuações de Nicolas Cage com todas as minhas forças…

A história do policial de Nova Orleans com dores crônicas de coluna e viciado em cocaína é, no mínimo, estranha, pelo tom absurdo que cada situação toma e pela sensação de que aquela loucura toda não vai parar nunca. Cage está numa atuação fantástica e minimalista, dando uma espécie de pausa irônica de Herzog no ritmo acelerado. Aliás, o humor do diretor é, como sempre, uma atração à parte, especialmente quando iguanas aparecem e na já clássica cena da alma dançando (essa está no trailer).

Em resumo, eu senti em Vício frenético o que todo mundo diz que sentiu em Bastardos inglórios, sendo que nesse eu não entrei no clima. O prazer de ver um filme com momentos de catarse e um risinho permanente no canto da boca.

Visto no Plaza, 16/01/2010.