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Dell’igiene e salute

Há poucas coisas que definam tão bem o excesso de controle urbano da prefeitura de São Paulo e seu síndico Kassab como essa proibição à galinha a cabidela informada por Xico Sá:

http://xicosa.folha.blog.uol.com.br/arch2011-05-08_2011-05-14.html

Faltou mencionar os preços estratosféricos das agulhas fritas no Recife (hoje se pede uma, antes eram 20 ou 30 numa reles manhã de domingo na beira-mar de Olinda) e a repulsa paulistana ao sarapatel, verdadeira preciosidade sanguíneo-pernambucana) que ainda provoca tentação em mim, pobre vegetariano.

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O “chupa”

Bom dia! Provavelmente está frio neste início de sábado, mas esse post foi programado com bastante antecedência. Favor confirmar a informação.

Não aguento mais ouvir a palavra “chupa”.

Calma, amigos pernambucanos. Não mudei de profissão, nem pretendo. Mas essa palavra é uma verdadeira obsessão em terras paulistanas, um patrimônio (?) cultural comparável aos beatniks da Augusta, filas e voluntários de entidades ambientalistas da Paulista.

Sempre, em qualquer jogo de qualquer time local e por qualquer motivo, o paulistano típico dirige-se à janela para gritar “chupa”. O destinatário varia: pode ser gambá, porcada, bambi, galinha preta, peixe etc.

Segundo nativos, isso seria uma abreviatura para “chupa que a cana é doce”. Para mim, continua sendo bizarro, especialmente porque não consigo me emocionar com o futebol local, com a única e honrosa exceção das derrotas do Corinthians (que carinhosamente apelidei de “o Chorume”, de tanto que gosto dessa suposta “nação”).

Por outro lado, fico feliz que as mentes locais ainda não tenham criado buzinas características de cada time como o “cazá-cazá”, “n-a-u…” ou “tri-tri…”. Meu sono agradece.

Audiências no JEF e depoimento pessoal

Momento jurídico chato.

Como todos ao meu redor sabem, eu odeio processo civil e amo fazer piadas com processualistas, essas pessoinhas adoráveis que se preocupam com a natureza jurídica das coisas mais insignificantes do universo, verdadeiros Lineus em Lilliput.

Talvez por isso eu não entenda o que se passou comigo em mais de uma audiência cível que fiz no Juizado Especial Federal, aqui em São Paulo. Ao pedir humildemente que o autor (meu assistido) fosse ouvido em audiência de instrução, fui recebido com um mantra: depoimento pessoal é prova exclusiva do réu.

Ou seja, em mais de um caso o autor, que esperou mais de um ano para ver o rostinho bonito do Judiciário, não pode abrir a boca para falar sobre os fatos ou, apenas, seus sentimentos, dano moral, opinião etc. Além de ser uma profunda descortesia com o jurisdicionado, parece-me haver um direito das partes em serem ouvidas em audiência, com base em: a) princípio da oralidade; b) art. 28 da Lei nº 9.099/95 (“serão ouvidas as partes”); ou ainda c) art. 452, II  do CPC, subsidiariamente.

Por favor, leitores processualistas, ajudem-me a decifrar esse enigma dos juízes paulistanos. Eu confio em vocês 🙂

#freeastronete

Hoje de madrugada, saindo para comer um pedaço de pizza no…Pedaço de Pizza, percebi que o Astronete, baladinha da R. Matias Aires, estava interditado, com uma parede de tijolos na frente. Achei que era engano meu, mas agora, no aeroporto rumo ao Recife, vejo essa notícia:

http://guia.uol.com.br/noite/ult10049u884054.shtml

Além de adorar o lugar, que ao lado do Studio SP é o espaço mais legal do Baixo Augusta (Bar do Netão é hors concours, todos sabem), começo a temer pelo meu bairro. O Astronete consegue aliar preço justo (R$ 15), público decente e música boa, não dá pra fechar assim.

Seguindo a sugestão da dona, lanço a campanha #freeastronete, minha primeira ação cívica em prol de São Paulo (sim, porque pedir doação de ouro está meio demodé). Divulguem 🙂

E rumo ao Carnaval!

Rosa Amarela

Encontrei há alguns minutos um videozinho massa. Versão de Rosa Amarela, poesia de Carlos Pena Filho musicada e cantada por Junio Barreto com imagens dos puteiros da Augusta.

E o que tem a Augusta a ver com isso? Só quem já andou por ela à noite vai entender como ela é a rua mais debochadamente recifense de São Paulo – ou ao menos do Recife que amamos.

 

 

 

 

Azul

Ontem falei sobre o céu azul de São Paulo. É certamente um exagero fazer brincadeiras sobre isso. Aqui faz, sim, céu azul, e dias bonitos de sol.

Mas é um azul diferente do da minha aldeia. O que não me faz ter saudade pura e simples.

Dois momentos do azul. Uma música de Isaar e um soneto do poeta do azul, Carlos Pena Filho. Boa semana de céu azul.

Soneto do Desmantelo Azul (Carlos Pena Filho)

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori, as minhas mãos e as tuas.

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul  também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

 

Minha Galera

Animado pelo céu azul e sol escaldante de São Paulo nesse DILMA DAY (é isso mesmo, cantando vitória!), vou de Mundo Livre S/A: