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Ressureição tricolor

Voltei agora do Arruda feliz, dentro dos limites da minha rubronegrice.

Claro que foi lamentável a falta de atitude e competência do time do Sport, incapaz de perceber a necessidade de atacar e pressionar de verdade, sempre acreditando que o gol sairia naturalmente. Bruno Mineiro pipocou feio, Bala não é mais o mesmo, Renato é uma piada em forma de lateral…bem, isso ficou pelas escadarias da geral – aliás, tucanaram até isso, chamando-a de “arquibancada superior”.

No entanto, é bom ver uma festa de mais de 60 mil pessoas acabar em clima relativamente tranquilo, com muitas famílias, crianças e idosos. A torcida do Sport saiu de cabeça erguida. Mas o que me deixa feliz, como falei no início, foi saber que voltamos a ter um rival digno, com torcida (embora sem nenhum título relevante. O Santinha jogou bem, teve determinação e mereceu. Ao vencedor, as batatas.

Por outro lado, é grotesca a fixação da torcida barbiana por esse tal hexa. Aqui no Espinheiro fecharam a rua pra comemorar uma vitória da qual não participaram, de um time que ainda chamam de rival. Enquanto esse time de bairro continuar preso a um título quase cinquentenário e de nenhuma expressão, continuará atrás do ABC, decacampeão potiguar, em dignidade. Um Oskar Mazerath de “O Tambor”, de Gunther Grass, amarrado a uma fantasia que o impede de crescer. Nunca crescerão.

Que o título do Santinha fortaleça o futebol pernambucano de verdade, aquele que anima as esquinas, as mesas de bar, as lapadas de cana, a nossa arrogância e a falsa humildade deles. Que ainda haja meninos de 10 anos gritando “tri-tricolor” contra nossos irritantes “cazá-cazá”, que a rivalidade sobreviva aos ditames do mercado futebolístico. Gosto de ter um oponente à minha altura.

Em homenagem a meus queridos leitores e amigos tricolores, especialmente o brother Paulo Feitosa, o sempre presente nos comentários Bruno Monteiro e minha mãe, uma música que reflete bem esse ethos tricolor que é tão importante para a força do Sport na nossa província.

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Ok, Santinha

Atendendo a pedidos, faço uma homenagem ao Santa Cruz pela vitória de ontem sobre o Botafogo. De fato, teve ares de milagre e não acontece todo dia. Vamos ver se agora o time embala e, depois de ser mais uma vez massacrado pelo Sport na final do Pernambucano, o Santinha sobe pra Série C.

Foto de uma torcida respeitável e simpática, embora menor que a do Leão:

Futebol nos trópicos

Por razões que a própria razão desconhece, ainda me motivo a ir ao Arruda para ver mais um Clássico das Multidões, arrastando junto a família.

Não me queixo da multidão, o que seria contraditório para quem torce por um time das massas (o bem-sucedido, e não o outro). O que me irritou ontem foi ver, mais uma vez, como essas histórias de reforma são um engodo, e perceber com tristeza que a torcida em Pernambuco ainda é tratada como lixo por todos. Polícia, clubes, governo…todos.

Após um trânsito infernal e caminhar da Avenida Norte até a Rua das Moças com o jogo já começado, percebo que os portões do visitante estão fechados e com a cavalaria cercando os portões. Motivo: ingógnita. Ninguém informa, avisa, organiza, nada. Percebo então que não há nenhum tipo de catraca ou bilheteiro, e tudo havia se transformado numa zona. E eu comprei ingresso por R$ 20, sem disposição de dar viagem perdida.

Depois de perambular pelos 2 portões, dei a sorte de encontrar um PM simpático que me disse que os dois anéis estavam entupidos de gente. Todavia, por sermos brancos e com cara de rico, pudemos entrar pelo lado – e sem mostrar os ingressos. Motivo dado pelo policial: “entra logo, boy, esse estádio é uma esculhambação mesmo”.

Dentro, o velho e bom (I)Mundão do Arruda: goteiras, escadas semidestruídas, poças d’água, cheiro de urina. Ou seja, mais uma reforminha “me engana que eu gosto”, provavelmente com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

E nem falei de ônibus quebrado, arrastão, pedradas, bombas, Inferno x Jovem etc. Pelo menos dessa vez não vi nada.

Pergunto, então, como um Estado desses quer construir mais um estádio e ter um futebol competitivo sem saber ao menos controlar um acesso de arquibancada e garantir direitos básicos para o consumidor. O Estatuto do Torcedor chegou por aqui como uma promessa imediatamente descumprida. Como diria Marcelo Neves (rubro-negro, ao contrário do irmão e cartola Zé), é um álibi para protelar as conquistas no âmbito do direito. Não deu em nada. 

E nós ainda nos submetemos a esse tratamento. É a vida…

Sobre o clássico, foi muito bom. Bela festa de aniversário, com direito a mais de um “Parabéns pra Você” em 10 mil vozes. Fiquei com pena do Santinha.  Coitado, mas antes ele do que eu.

É o cara – 2

Falei ontem de Lula, mas esqueci de uma notícia que, por descuido ou preguiça, deixei de comentar por aqui. Falo da reeleição de Evo Morales para mais um mandato como Presidente da Bolívia.

Morales conseguiu, durante o primeiro mandato, algo que parecia impossível: restabelecer crescimento econômico e dignidade para um país miserável, que vive oprimido pela dependência de um único produto de exportação e pela burrice de sua elite branca, os “cambas” de Santa Cruz. Apesar de, durante a crise do gás, ter sido pintado pelo PIG brasileiro como um monstro esquerdista e ditador, Evo representou um esforço de conciliação num país dividido, freando os movimentos golpistas.

Em 2007, passei 15 dias na Bolívia (Uyuni, Potosí, Sucre, La Paz e Copacabana) e pude constatar de onde vem a legitimidade de Evo. Ao contrário dos “cambas”, os “collas” do Altiplano – a população indígena – veem no seu governo a única chance, desde a ocupação espanhola, de assumirem uma posição de controle sobre suas riquezas naturais e melhorias de qualidade de vida, coisa que nenhum dos últimos governos neoliberais conseguiu. Coisas simples como bolsas de assistência social e aposentadoria para idosos foram conquistas suas, assim como melhorias no sistema educacional e de saúde. A reeleição não o deixa mentir, sendo para mim ainda mais relevante e simbólica que a de Lula, por ser a Bolívia um país infinitamente mais pobre que o nosso. 

Que chore o PIG nacional e a elite crucenha…ele é o cara!

http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=9&i=5674

Parabéns, Central! E pobre Santinha…

Como meu time não vai muito bem das pernas – nem de vitórias, gols ou qualquer coisa parecida, aí não incluído o amor incondicional – a alegria hoje foi a vitória do Central, meu 2º time, e a classificação para a próxima fase da Série B. Estar entre os 20 foi uma conquista e, dependendo da chave, acho que a Patativa passa. Pelo que vi na tabela, o Alecrim (equivalente potiguar do Náutico, de poucos títulos e torcedores) está arrasando, espero que não caia na mesma.

E o Santinha, hein? Eu acho que sou o único rubro-negro que admite estar torcendo abertamente pelo suposto “Mais Querido”, passo o fim de tarde colado no rádio esperando o gol da vitória e…nada. Queria muito que eles saíssem dessa situação e voltassem ao menos à Série B (com o SPORT na A, claro), porque a coisa mais triste do futebol é não ter rival.

E ninguém venha dizer que Clássico dos Clássicos é emocionante, pois, no máximo, é um time de bairro dando a vida pra arrancar um empate com o SPORT e achar que tem “tradição”. Jogo bom é Clássico das Multidões, com o povão espremido no Arruda, valendo título ou turno e torcida de verdade. Pra isso o Santinha precisa voltar, né?