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Dell’igiene e salute

Há poucas coisas que definam tão bem o excesso de controle urbano da prefeitura de São Paulo e seu síndico Kassab como essa proibição à galinha a cabidela informada por Xico Sá:

http://xicosa.folha.blog.uol.com.br/arch2011-05-08_2011-05-14.html

Faltou mencionar os preços estratosféricos das agulhas fritas no Recife (hoje se pede uma, antes eram 20 ou 30 numa reles manhã de domingo na beira-mar de Olinda) e a repulsa paulistana ao sarapatel, verdadeira preciosidade sanguíneo-pernambucana) que ainda provoca tentação em mim, pobre vegetariano.

Tapacurá reloaded

Continuando o post “O eterno estouro de Tapacurá“, segue excelente especial do JC sobre os eventos da última quinta, traçando um paralelo entre os dois momentos:

http://www2.uol.com.br/JC/sites/tapacura/index.html

Um réquiem para Texticulos

Quem não lembra da Texticulos de Mary, melhor banda da transição dos anos 90 pros 2000 do Recife?

Shows catárticos, provocação num nível absurdo até mesmo para padrões mais progressistas (várias histórias de censura, cortes etc.), letras inteligentes, um radicalismo difícil de ser copiado. Aliás, essa ausência total de limite parece ter dado causa a toda a incompreensão mundial que levou ao fim da banda.

Vamos trocar ideias sobre Texticulos e relembrar os clássicos:

O eterno estouro de Tapacurá

Uma das (des)razões de amar o Recife é amá-lo radicalmente em suas contradições, defeitos, vícios, obscuridades. O amor quase macabro por um certo ar infantil que a cidade, em pleno século XXI, parece conservar.

Como todo recifense, passei a vida vendo e ouvindo falar de água. Um tópico maravilhoso em conversas com meus pais e pessoas mais velhas sempre foi o das grandes cheias, especialmente a de 1975 que, no imaginário da mauricéia, parece ser uma entidade com corpo e alma – A Grande Cheia de 75 – sempre acompanhada de seu fiel escudeiro, O Boato.  Ele fica pro final.

Pois agora, à distância, sofro com as chuvas e as enchentes de Pernambuco. Me preocupo com o horário da maré, com as cabeceiras, com as várzeas. Senti uma tristeza imensa em cogitar que, talvez, meu antigo bairro da Madalena sofresse com a subida de nível do Capibaribe – nosso vulcão particular, como meu amigo  Kleber Mendonça sugeriu no Twitter. Amar o Recife é também sofrer e ter saudade do caos.

Hoje O Boato, aquele sobre o transbordamento ou rompimento de Tapacurá voltou aos ares do Recife. Nos tempos da internet, ele persiste, não dá trégua, assombra e lembra como somos humanos. E infantilmente recifenses. No fundo, queremos de algum modo que ele se materialize, quase como profecia.

Pois eu vivi O Boato de longe, numa sala pequena e num dia até ensolarado. Acho que, como o Recife, ele está dentro de mim.

Aos que nada entenderam, não se preocupem: é coisa estranha mesmo. Seguem textos explicativos:

http://revistaalgomais.com.br/blog/?p=2743

 http://fatitavieira.blogspot.com/2011/01/tapacura-estourou.html

Rosa Amarela

Encontrei há alguns minutos um videozinho massa. Versão de Rosa Amarela, poesia de Carlos Pena Filho musicada e cantada por Junio Barreto com imagens dos puteiros da Augusta.

E o que tem a Augusta a ver com isso? Só quem já andou por ela à noite vai entender como ela é a rua mais debochadamente recifense de São Paulo – ou ao menos do Recife que amamos.

 

 

 

 

E tome brega!

O maior sucesso do Recife é a banda Faringes da Paixão. Os caras tiveram a sorte de captar o espírito bregueiro da juventude da Veneza Brasileira e dar a ele uma aura pop. Ideia certa na hora certa, pois agora o clima está propício para Kelvis Duran, “vou não, posso não”, Banda Lapada etc.

Leitores não recifenses, não se assustem. Aos poucos vou soltando as pérolas 🙂

Por enquanto, uma do meio mal-gravado CD ao vivo de Faringes, “Garoto de Programa”:

http://www.4shared.com/audio/thRpTxj0/06_Garoto_de_Programa.html

Azul

Ontem falei sobre o céu azul de São Paulo. É certamente um exagero fazer brincadeiras sobre isso. Aqui faz, sim, céu azul, e dias bonitos de sol.

Mas é um azul diferente do da minha aldeia. O que não me faz ter saudade pura e simples.

Dois momentos do azul. Uma música de Isaar e um soneto do poeta do azul, Carlos Pena Filho. Boa semana de céu azul.

Soneto do Desmantelo Azul (Carlos Pena Filho)

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori, as minhas mãos e as tuas.

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul  também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.