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Bom Dilma!

Acordei agora. Festa bonita na Paulista ontem, com direito a Alceu Valença. Deu um gostinho de Marco Zero em 2000 e 2002.

Como saí de casa antes do resultado e cheguei com o dia claro, só agora li as notícias sobre a vitória. Nem tem muito o que dizer. Parabéns pra Dilma e pro povo brasileiro, lamentos pela falta de bom senso de Serra, risadas pelas manchetes chorosas do PIG (um deles falou até de Lula em 2014 na manchete..sai do palanque!). O mais já se sabe, e virou história.

Falta só uma coisinha.

OBRIGADO, NORDESTE! OBRIGADO, PERNAMBUCO! Dilma ganharia só com os votos do resto do Brasil, mas essa vitória teve nossas mãos. E sem essa de Bolsa-Esmola ou voto de cabresto, façam-me o favor. 76% dos pernambucanos mostraram a força da nossa nação.

De volta à programação normal.

Gosto de números…

…quando eles me favorecem.

É o caso dessa brilhante pesquisa de opinião sobre as torcidas de Pernambuco. Mais uma boa notícia, presente de Dia dos Pais, para o Papai da Cidade 🙂

http://www.sportrecife.com.br/noticias/detalhe.cfm?nid=873

Tragédia na Mata Sul

Infelizmente o clima de Copa do Mundo e o jogo do Brasil está ofuscando a tragédia decorrente das chuvas na Mata Sul de Pernambuco, simbolizada pela destruição de todo o centro de Palmares. Uma pena que, mesmo com tantos investimentos em infraestrutura, a questão habitacional e de preservação das margens dos rios foi, mais uma vez, negligenciada no Estado.

Informações mais precisas e assustadoras, além de fotos e um clipping dos videos, estão disponíveis num site da imprensa local: http://www.girope.com.br/noticias.php?id=8250

Sei que há um posto de coleta de água, alimentos e roupas no Quartel do Derby, mas em breve surgirão outros. Vamos ajudar.

Ajuda ao povo haitiano

Para os pernambucanos, informações do DP sobre postos de coleta:

Pernambuco convoca sociedade a ajudar vítimas no Haiti

 

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A diretoria do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) está reunida com militares da Aeronáutica, além de representantes da Prefeitura do Recife e de igrejas para traçar estrtégias de ajudar as vítimas do terremoto que devastou o Haiti, na última terça-feira.

A intenção é mobilizar a sociedade a doar os ítens mais escassos no país destruído: roupas, alimentos não perecíveis e água mineral. Entre as medidas já definidas está a instalação de pontos fixos de coleta que funcionam já a partir das 14h de hoje.

Quem quiser fazer doações ainda hoje pode se dirigir ao Imip, no bairro dos Coelhos ou à Praça do Derby. Amanhã, além destes pontos também serão instalados postos de recolhimento no Parque da Jaqueira, na Avenida Boa Viagem, nas paróquias de cada bairro e na sede do Iasc, órgão vinculado à Prefeitura do Recife.

O envio das doações será feito pelos militares da Força Aérea Brasileira, que vão embalar os produtos e mandar para o Haiti. De acordo com um dos diretores do Cremepe, Ricardo Paiva, a ideia é que aviões da FAB possam sair direto do Recife para o Haiti. “Estão saindo, diariamente, dois ou três viões com tropas que vão ajudar as vítimas. Estamos discutindo a possibilidade de aeronaves saírem daqui, pelo menos a cada dois dias”, revela. 

O Conselho Federal de Medicina está convocando médicos de todo o país para seguirem, junto com os militares, à capital Porto Príncipe.

Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

CNJ em Pernambuco

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) publicou essa semana o temido Relatório de Inspeção sobre o TJPE (Tribunal de Justiça de Pernambuco). Como era de se esperar, as conclusões são estarrecedoras, mas nada surpreendentes para quem conhece a instituição. Link

Trabalhei no Fórum de Olinda entre 2001 e 2003 e posso dizer que foi uma das melhores experiências profissionais da minha vida. Afinal, tinha 20 anos e estava entrando verde no serviço público, depois de passar por bicos em geral na adolescência e estágios em órgãos federais – dentre eles o TRF, onde trabalho hoje. No entanto, o que via na justiça estadual há 8 anos atrás era um descalabro completo: juízes incompetentes (no sentido intelectual da palavra), varas sem estrutura alguma, gente pobre sendo mal-tratada e humilhada, desorganização. E, claro, todos os casos possíveis e imagináveis de nepotismo, compadrio, patrimonialismo e todas essas palavras sociológicas para definir a pura e simples pilantragem. 

No fundo, os anos no Fórum me ajudaram a, até hoje, ter uma mentalidade que chamo de “barriga-no-balcão” ao lidar com problemas jurídicos. Ou seja, primeiro está a solução dos problemas, vindo os tecnicismos depois. Além, claro, de falar tudo com palavras simples e sem rodeios. Infelizmente noto que na Justiça Federal e no TRF o clima é mais solene e pomposo que o necessário, e, no fundo, eu ainda me sinta mais útil quando fazia atendimento em Vara de Assistência Judiciária. Espero que algum dia o TJPE tome jeito, e fico feliz que as coisas estejam melhorando por lá.

Nelson Chaves

Segue abaixo um texto recebido por email da minha mãe, e de autoria de Luís Otávio Cavalcanti. Já excluída a admiração de neto, é mais uma bela homenagem a quem tanto fez pela saúde pública do Nordeste, e em quem sempre busco um exemplo.

Nelson Chaves ou o evangelho social do cientista

 por Luiz Otavio Cavalcanti

Lembro de Nelson na casa de meu pai. Almoçava, um fim de semana ou outro, vestindo a mesma expressão, ao mesmo tempo viva e tranqüila. Exibia um meio sorriso de quem já sabia a resposta à pergunta que ele próprio fizera.

Lendo o livro, editado pela Universitária (UFPE, 2008, Recife), organizado por Christina Costa e Eunice Lago, senti falta de fotos. Principalmente de uma fotografia que recuperasse aquele sorriso feito de coisa ante-sabida.

Para mim, falar sobre Nelson é escutar a voz dos meus. No conceito de meus não incluo só os parentes. Abranjo também a categoria dos iguais, que defendem o social, que combatem a desigualdade, que olham o Nordeste e vêm problema e solução. Como Nelson.

Quem é pesquisador e acredita no que faz, termina sobrevoando a pesquisa para elevar seu trabalho ao domínio da filosofia social. O cientista do calibre de Nelson começa pesquisador e termina filósofo. Inicia-se na micro-análise e finda na macro-proposição. Começa de um certo tamanho e, crescendo, conclui a obra, maior. É a pergunta que Malaquias Batista Filho propõe no prefácio: “quais são nossos valores na sociedade ?”.

É igualmente a indagação do próprio Nelson, reproduzida por Oscar Coutinho Neto, no posfácio: “Que civilização é esta em que a ambição desenfreada conduz o homem à auto-destruição?”.

Enxergo em Nelson uma espécie de homem-árvore, que produz ramos fortes, frondosos, dando frutos. Penso em dois de seus frutos: a visão de futuro plantada no Instituto de Nutrição e a percepção da totalidade social.

Na visão de futuro, semente que gerou o atual Departamento de Nutrição, um dos mais qualificados do país, Nelson mostrou a capacidade de estruturar a ação. E, ao fazê-lo, de disseminar o conhecimento para ampliá-lo e melhor beneficiar o povo.

Na percepção do todo social, Nelson entendeu perfeitamente a lógica da fome. A desnutrição não se resolve como problema econômico ou como questão social. Porque é problema político. Por isso, ainda há fome no Brasil, principalmente no Nordeste. Fosse problema econômico já estaria resolvido por investimentos multinacionais. Mas não é. Depende de política. Nacional. Nelson disse: “A desnutrição não é fenômeno isolado. Faz parte do complexo de pobreza” (Nutrição e desenvolvimento, 1976).

Há outro aspecto da personalidade de Nelson que me chama atenção. É o fato de que ele poderia ter ido para os Estados Unidos, de onde recebeu convites para financiar suas pesquisas com mil vezes mais dinheiro do que os que tinha aqui. Ouvi ele dizer isso, lá em casa, mais de uma vez. E, aceitando, tornar-se muito mais conhecido do que foi, permanecendo no Recife.

Mas ele não quis. Não o seduziu a vaidade da exposição. Preferiu continuar em sua terra, fez a escolha do azul. Nelson era do time de Gilberto Freyre e Luis da Câmara Cascudo. Preferiam sentir o cheiro de maresia, enraizar-se no equacionamento da saúde tropical. Por isso foram tão grandes. Porque souberam ser locais.