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Os muitos dedos do acusador

Fato relevante esse dos atos libidinosos SUPOSTAMENTE praticados pelo turista italiano em Fortaleza  contra a filha. A ênfase na palavra deve-se ao esquecimento dela por quem mais deveria utilizá-la – delegados e jornalistas. Merece atenção essa história para que não se esqueça a importância de provas e, principalmente, do respeito ao estado de inocência dos suspeitos/acusados.

Link para o Blog do Nassif:

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/08/continua-o-filme-de-horror-em-fortaleza/

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Teenage (Sex) Riot

Com esse título, preciso comentar o excelente artigo de Alejandro Margulis na edição de agosto do Le Monde Diplomatique, sem dúvidas o melhor jornal de opinião e debate em circulação hoje. Pena que a qualidade dos textos e do projeto gráfico seja inversamente proporcional à do horrível sistema de assinaturas, que me faz todo mês torcer para que ela acabe e eu volte a comprar nas bancas. Mas essa é outra história.

Nesse belo texto, o argentino Margulis discute algo que há muito tempo já me impressiona: a facilidade de tirar fotos digitais com um súbito desejo de adolescentes de todo o mundo por exposição em cenas sensuais ou eróticas. Boa parte dessas experiências são voluntárias e fogem do esquema de exploração mais simples, ou do conceito de “pedofilia”. Como eu cansei de perguntar a Tieta, Raquel, Rosália et al. no GDS 2008, até onde vai a proteção jurídica ao adolescente e onder começa, enfim, seu espaço de autoconstituição subjetiva?

Raridade, o artigo não está na internet. Por isso, sugiro que os interessados comprem o nº 25 do Diplo, mas deixo uma palhinha:

“Nesse estado de coisas, a falta de uma linha de pensamento franca e madura tende a gerar uma ânsia de controle da vida privada dos jovens que oscila entre o laissez-faire e a mania persecutória. Para alguns, a capacidade de dar e receber carinho de forma responsável seria a atitude que melhor articularia os intercâmbios pessoais. Mas, quando é perpassado o medo, o imaginário coletivo sempre se dissolve, cai em infantilismo ou paranoia, e a sociedade tende a buscar autoritariamente a probidade, aquilo que venha a colocar ordem na caótica intimidade dos vínculos.  (…) E, entretanto, o fato de os adolescentes quererem divulgar sua vida na internet continua sendo um ato de celebração. Ritual sem graça, sexo frio, paliativo, ante a indiferença que sentem por parte da sociedade ou o mero gesto de uma peculiar e solitária liberdade de expressão, mostrar-se hoje em dia desse modo lhes parece ser a única chave para serem aceitos”.

Crianças? Tragam as cordas!

De um tempo pra cá, esse tema da sexualidade infantil foi reciclado na mídia e nas conversas cotidianas de um modo impressionante. Basta comparar o que se fala de pedofilia e abuso sexual hoje e nos anos 90, o que é muito importante por se tratar de um verdadeiro “ponto cego”, quase um tabu. Sem contar a praga da prostituição infantil, especialmente nas regiões mais pobres.

No entanto, vem uma notícia como essa(http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u608541.shtml) que me faz lembrar o livro Os Anormais, de Michel Foucault.

Nesse curso de 1975, o autor informa que nos séculos XVIII e XIX houve uma intensificação dos controles da sexualidade intrafamiliar com ênfase na preservação das crianças. Alguns registros: delimitação de camas e quartos para pais e filhos (evitando a observação do sexo e o abuso), pijamas com mangas fechadas e cordas (para evitar a todo custo a masturbação infantil),  controle higiênico rigoroso sobre doenças venéreas e burocratização da prostituição (para combater a libertinagem não “docilizada” etc.). Há, portanto, em tudo isso, um belo componente político-econômico a destrinchar.´

O tema é espinhoso, mas está vindo à tona e merece atenção. Durante o ano de 2008, estimulei o desenvolvimento de alguns pequenos projetos no Grupo D & S nessa linha, tratando sobre pornografia amadora, exposição voluntária de adolescentes em fotos eróticas etc. Por enquanto, apenas Tieta está desenvolvendo uma dessas ideias (pornografia e colisão de direitos fundamentais), pelo PIBIC. Fica pro futuro 🙂