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Natureza jurídica do Twitter

Depois de muito refletir e ponderar (a palavra da vez nas provas de IED 2), consegui entender a alma do Twitter.Além de servir como servidor de notícias disfarçado, já que ninguém se acostumou com o antigo sistema RSS, esse tal “miniblog” nada mais é que a chegada à internet de um comportamento típico de jogo de futebol.

Torcedor que é torcedor nunca pergunta a outro o tempo, quem entrou ou quem saiu. A pergunta genérica – de “saiu quem?” até “quem é esse camisa 17 aí?” – é feita a esmo, sem destinatário. É um método tosco de garantir resposta, mas funciona. Nunca na história das arquibancadas o sujeito ficou sem resposta. Essa manha também é ótima para falar obviedades ou idiotices, que um interlocutor particular não ouviria sem dar um fora. Nesse caso, frases como “é bom mesmo que esse time seja rebaixado” ficam propositalmente no vácuo do pensamento.

Ou seja, eu, você e todos nós – frequentadores de arquibancada, chupadores de rolete (opa) de cana e mastigadores de amendoim “cozinhado” – já tuitávamos muito antes da internet. Ela apenas usa velhas táticas de comunicação e põe um passarinho simpático pra fazer uma chinfra…

OBS – Meu Twitter é @joaochaves_ds , mas pra falar minhas besteiras eu ainda prefiro este blog. Ou a arquibancada da Ilha.

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Filmes de graça pela Net

A dica vem do amigo, professor e blogueiro Rodolfo Cabral. Nesses três sites aí embaixo, é possível ver muita coisa boa do cinema e, o que é melhor, tudo de graça. Como esse blog e seu responsável são contra a aristocracia do conhecimento, e boa parte deles não são encontrados com facilidade, não dá pra não visitar.

http://setimoprojetor.blogspot.com/

http://filmespoliticos.blogspot.com/

http://www.laranjapsicodelica.blogspot.com/

http://cineforum.livreforum.com/index.htm?sid=c514d3709b01e1e4e71e180d3705fa0b

Teenage (Sex) Riot

Com esse título, preciso comentar o excelente artigo de Alejandro Margulis na edição de agosto do Le Monde Diplomatique, sem dúvidas o melhor jornal de opinião e debate em circulação hoje. Pena que a qualidade dos textos e do projeto gráfico seja inversamente proporcional à do horrível sistema de assinaturas, que me faz todo mês torcer para que ela acabe e eu volte a comprar nas bancas. Mas essa é outra história.

Nesse belo texto, o argentino Margulis discute algo que há muito tempo já me impressiona: a facilidade de tirar fotos digitais com um súbito desejo de adolescentes de todo o mundo por exposição em cenas sensuais ou eróticas. Boa parte dessas experiências são voluntárias e fogem do esquema de exploração mais simples, ou do conceito de “pedofilia”. Como eu cansei de perguntar a Tieta, Raquel, Rosália et al. no GDS 2008, até onde vai a proteção jurídica ao adolescente e onder começa, enfim, seu espaço de autoconstituição subjetiva?

Raridade, o artigo não está na internet. Por isso, sugiro que os interessados comprem o nº 25 do Diplo, mas deixo uma palhinha:

“Nesse estado de coisas, a falta de uma linha de pensamento franca e madura tende a gerar uma ânsia de controle da vida privada dos jovens que oscila entre o laissez-faire e a mania persecutória. Para alguns, a capacidade de dar e receber carinho de forma responsável seria a atitude que melhor articularia os intercâmbios pessoais. Mas, quando é perpassado o medo, o imaginário coletivo sempre se dissolve, cai em infantilismo ou paranoia, e a sociedade tende a buscar autoritariamente a probidade, aquilo que venha a colocar ordem na caótica intimidade dos vínculos.  (…) E, entretanto, o fato de os adolescentes quererem divulgar sua vida na internet continua sendo um ato de celebração. Ritual sem graça, sexo frio, paliativo, ante a indiferença que sentem por parte da sociedade ou o mero gesto de uma peculiar e solitária liberdade de expressão, mostrar-se hoje em dia desse modo lhes parece ser a única chave para serem aceitos”.