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Honneth contra Sloterdijk

Direto de um retweet de Antonio Luiz Costa, grande jornalista da Carta Capital, soube desse belo artigo de Axel Honneth respondendo, de modo claro e direto, aos pseudobrilhantismos de Peter Sloterdijk. Segue o link em inglês, no que me pareceu uma boa e divertida tradução (com direito a um “half-baked conclusions”, muito bom…):

http://www.cshingleton.com/2010/02/axel-honneth-against-sloterdijk-fatal.html

Nessa história, dou razão a Honneth. E diria mais: não só essa conversa de Sloterdijk cansa como também certos foucaultianos, ou foucaldianos, que parecem não entender nada além do autor e ver nele uma genialidade que, a meu ver, é muito menor que a propaganda.

Em 2006, fiz um trabalho que imagino sério em torno de Foucault e o direito. O livro está pra sair por esse mês com um certo atraso, mas tentei com sinceridade avançar em algumas questões sobre o tema e fugir da pura repetição de clichês bobos como “o direito é a forma ritual da guerra”, que nem são nada de outro mundo. No entanto, o que percebo por aí é muita empolgação e pouca evolução. Todo mundo falando de Foucault como um jurista genial quando o sujeito nem ligava pro assunto, e ao mesmo tempo tratando gente como Honneth, Kelsen, Alexy e, principalmente, Habermas como secundária.

Não estou dizendo que o bom velhinho de Frankfurt seja imune a críticas. No entanto, não dá pra negá-lo como referência para a filosofia do direito, especialmente se temas como poder e direito são cruzados. Parece que essa fuga à realidade teórica contamina muitos foucaldianos, que viram comentaristas de uma nota só e, com todas as vênias possíveis, não dizem lá muita coisa. 

Enfim…pra ser foucaldiano assim, prefiro não sê-lo. Aliás, nunca me considerei como parte de um grupo desse tipo, que o próprio Foucault não conceberia. O mesmo eu digo sobre Sloterdijk, Zizek, Bauman. Deleuze é um caso diferente, ele faz parte de uma tradição particular. O que me irrita é o pseudointelectualismo de alguns, que esconde um baita obscurantismo.

Filosofia do cotidiano

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“Eu posso explicar tudo…”

Tortura – I

Apesar de ser um assunto bem conhecido, o histórico recente da CIA e de suas práticas de tortura foi revelado num novo relatório oficial, publicado há poucos dias. É assustador, triste, revoltante, tudo ao mesmo tempo, pois mostra pra todos nós como é difícil superar esse verdadeiro câncer da política moderna. Franceses, latino-americanos, asiáticos, americanos…”democratas”, ditadores, todos.

Aí vão os links, com destaque para o segundo:

http://washingtonindependent.com/56175/the-2004-cia-inspector-generals-report-on-torture

http://www.gwu.edu/~nsarchiv/torture_archive/index_ig.htm

Três pontos para reflexão.

O primeiro refere-se à própria concepção de Estado de Direito. Talvez Carl Schmitt estivesse certo ao dizer que o verdadeiro estado é o da exceção, quando a força eclode e uma “pulsão criativa” da política é liberada. Ou seja, o estado visto como simples canal para um movimento irrefreável, ou para a defesa da sociedade. O governo Bush mostrou isso de modo bem claro com o Patriot Act e Guantánamo: a garantia de um sistema liberal e previsível de direitos é tão frágil que pode ser, numa canetada, suspensa em prol de uma exceção permanente, que seria a verdadeira política dos nossos tempos. Que o digam Walter Benjamin (Sobre o conceito de violência) e Giorgio Agambenn (Estado de exceção).

O segundo é mais pesado. Até que ponto a modernidade conseguiu consolidar, entre seus participantes, um meio-termo entre a violência e o poder e alguns padrões coletivos de respeito e tolerância? Cenários de crise como esses do pós-11 de setembro dão margem a conclusões sombrias quanto à impossibilidade de diálogo e formação de consensos mínimos – o que, como Habermas e outros bem lembram, não é de todo verdadeiro e nos conduz a um caminho de resignação.

Terceiro: qual é a força constitutiva do Mal? Ela existe, de fato? Hoje assistimos, no GDS, ao filme Noite e Neblina de Alain Resnais, e debatemos sobre a oposição entre essa tese e àquela que vê, no modelo dos campos de extermínio, uma lógica pervertida de produção sem indivíduo, em que o homem não desaparece apenas como “rosto desenhado na areia” (Foucault, As palavras e as coisas), mas como matéria-prima para cobertores, sabão e abajures. Essas são sempre questões espinhosas e, todavia, inevitáveis quando pensamos na relação entre direito, subjetividades e algum padrão que seja de ética ou dignidade universais.

Palestra interessante

Como eu disse no primeiro post, há uns 2 meses atrás, ainda não me acostumei direito com a ideia do blog. Apesar de ler vários, alguns diariamente (o do Nassif – http://www.luisnassif.com.br), a ficha não caiu e não sei o que postar no meu. Vou superar 🙂

Na dúvida, uma palestra do grande Jürgen Habermas – tão injustamente criticado por mim em certo momento – sobre Kant: