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Bom Dilma!

Acordei agora. Festa bonita na Paulista ontem, com direito a Alceu Valença. Deu um gostinho de Marco Zero em 2000 e 2002.

Como saí de casa antes do resultado e cheguei com o dia claro, só agora li as notícias sobre a vitória. Nem tem muito o que dizer. Parabéns pra Dilma e pro povo brasileiro, lamentos pela falta de bom senso de Serra, risadas pelas manchetes chorosas do PIG (um deles falou até de Lula em 2014 na manchete..sai do palanque!). O mais já se sabe, e virou história.

Falta só uma coisinha.

OBRIGADO, NORDESTE! OBRIGADO, PERNAMBUCO! Dilma ganharia só com os votos do resto do Brasil, mas essa vitória teve nossas mãos. E sem essa de Bolsa-Esmola ou voto de cabresto, façam-me o favor. 76% dos pernambucanos mostraram a força da nossa nação.

De volta à programação normal.

Não estou lá

Chove em São Paulo, mas eu queria era estar nessa chuva aí, no Recife, para homenagear Lula e o povo pernambucano.

Vendo tantas notícias e vídeos, bateu uma ponta de arrependimento por não ter ido no feriadão para votar, eleger Dilma e outras coisas mais. Agora, paciência.

http://jc.uol.com.br/canal/eleicoes-2010/noticia/2010/10/29/multidao-esquece-dilma-e-reverencia-lula-242267.php

http://www.brasilianas.org/blog/luisnassif/a-celebracao-de-lula-em-recife#more

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4763249-EI15311,00-Lula+arrasta+cem+mil+pessoas+e+e+aclamado+nas+ruas+do+Recife.html

 

Veja que mentira, mais uma vez

Começa a semana e eu continuo ansioso pela “bala de prata” do PIG, PSDB e da elite branca brasileira que vão, finalmente, afundar a candidatura Dilma.

A última, veiculada no hebdomadário imundo da Editora Abril, não fez nem cosquinhas. Só espero que não demitam o tal Pedro Abramovay por uma leviandade dessas.

Segue artigo anônimo, mas publicado no blog do Nassif:

http://www.brasilianas.org/blog/luisnassif/veja-e-a-estrategia-de-mister-m#more

 

#SerraRojas, #boladepapelfacts etc.

Pronto, agora não tem jeito, essa campanha demo-tucana perdeu qualquer traço imaginável de credibilidade. Só espero que José Serra, ou Zé Mintirinha, ponha mais uma vez a mão na cabeça, mas desta vez para decidir por sua aposentadoria política.

Até o dia 31/10, vamos jogando bolinhas de papel:

http://megaswf.com/serve/61506/

Com Dilma! Pelo Brasil!

Que este blog é lulista-dilmista convicto, não é surpresa. Mas agora a coisa está ficando muito feia e chegou a hora de ativar nossas redes sociais contra a onda fascista de boatos, ódio e fraudes da mídia.

Não é possível que um governo de conquistas e um projeto de país sejam jogados na lata do lixo e substituídos pelos que privatizaram o Brasil, sucatearam as universidades públicas e entregaram nossa política internacional para os EUA e União Europeia. Pior é imaginar que José Serra, político desequilibrado e vazio de qualquer ideia além de ganhar votos, seja nosso presidente. Não dá, vamos eleger Dilma 13 de qualquer jeito!

Sem maiores delongas, vou iniciar uma campanha de repercussão de blogs, começando pelo sempre combativo Luís Nassif. Vamos espalhar esses e outros links para fazer frente à investida final do PIG!

http://www.brasilianas.org/blog/luisnassif/o-beato-salu-serra

http://www2.tijolaco.com/28738

http://www.cartacapital.com.br/politica/a-campanha-eleitoral-assumiu-um-tom-fascitoide-diz-maria-rita-kehl

 

 

Serrianas

Momento confessional. Estou vendo TV e o candidato José Serra (perdão: o Zé) disse que, se eleito, criará o Ministério da Segurança para “pegar pesado”.

Devemos interpretar isso como a volta de Saulo de Castro Abreu, responsável pela desastrada “resposta” ao PCC com centenas de homicídios de inocentes no primeiro semestre de 2006?

Para que não se esqueça:

http://www.direitos.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1431&Itemid=2

http://www.revistaforum.com.br/noticias/2007/07/06/o_estilo_saulo/

Que oposição?

Repassando, diretamente do blog do Nassif. Cada vez mais o cenário tenebroso da oposição fica claro, assim como a vitória de Dilma no 1º turno. Não será possível, para o bem do debate e o esclarecimento dos campos políticos, o surgimento de uma proposta conservadora digna de ser enfrentada?

Como o oposição reunificou o PT

Enviado por luisnassif, qui, 19/08/2010 – 10:28

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–>Do Valor

O efeito colateral do discurso neo-udenista

Maria Inês Nassif
19/08/2010

Na campanha, o PT consegue reunir de volta sua antiga militância e o PSDB tem perdido a sua

A excessiva fixação do PSDB e do DEM no eleitorado de centro e de direita, com correspondente radicalização do discurso, tem estreitado as margens de manobra dos dois maiores partidos de oposição. A agressividade de um discurso tomado da direita ideológica produziu, em 2006, um fenômeno que deve se repetir em 2010. É esse discurso que, em ano eleitoral, têm trazido os movimentos sociais que atuam à esquerda do PT – e que beberam da mesma fonte no passado – de volta à sua órbita.

No primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006), houve um gradativo afastamento de setores sociais que, na origem petista, eram a militância mais aguerrida do partido. Era ininteligível para os movimentos um acordo de governo tão amplo que abrigava interesses do mercado financeiro e do agronegócio, ao mesmo tempo em que investia em programas sociais de transferência de renda, no microcrédito e no apoio à agricultura familiar. Quando o Bolsa Família começou a produzir, de fato, efeitos de distribuição de riqueza, os movimentos sociais viram-se com um grande abacaxi nas mãos. Não era possível se contrapor a um programa de complementação de renda, que atacava cidadãos expostos à miséria absoluta, mas, se o Bolsa Família produzia o efeito de tirar os miseráveis da órbita de influência da política tradicional, tinha também um efeito desmobilizador na base desses movimentos. A luta reivindicatória, que se iniciava pela educação para a cidadania, também foi neutralizada.

O episódio do chamado mensalão, em 2005, levou o PT e os movimentos sociais ao quase rompimento. Do lado institucional, houve o racha do PSOL. Quando os dissidentes saíram, em meio a um Fórum Social Mundial, a impressão que se tinha era a de que levariam consigo boa parte da esquerda do PT, além da militância ligada à igreja progressista e que foi responsável pela capilarização do partido, na sua origem. A ação da oposição legislativa, amplificada e em processo de retroalimentação com a mídia, acabou revertendo esse processo. O PSOL ficou pequeno. Os movimentos sociais tomaram rumo próprio, sem a ligação umbilical que tinha com o PT na origem do partido, mas evitaram um confronto direto com o governo. A maior parte da esquerda petista permaneceu. O clima pré-64 preservou os quadros de esquerda do PT e impediu uma ofensiva dos movimentos sociais mais à esquerda contra o governo Lula.

Nas vésperas das eleições de 2010, os movimentos sociais se alinharam a Lula, por duas razões. Primeiro, porque não tinham condições de se contrapor às suas bases, seduzidas pelos programas de transferência de renda e com alto grau de satisfação com o governo. Mais do que isso: é uma população atraída pelo carisma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e é muito difícil andar na contramão de um líder carismático cujo governo, ao fim e ao cabo, produz satisfatórios resultados sociais. Por fim, por medo de uma radicalização à direita que comprometesse os avanços que tinham ocorrido no governo Lula. O maior temor do Movimento Sem Terra em 2006, por exemplo, era a hipótese de vitória de um governo tucano, que no período FHC havia assumido uma política radical de criminalização do movimento.

Para as esquerdas e os movimentos sociais, o retorno à órbita de influência do PT, em 2006, foi algo como “ruim com Lula, pior sem ele”. De lá para cá, o processo de direitização do PSDB e do DEM se acelerou e os resultados do governo na promoção da distribuição de renda tornaram-se mais claros. Às vésperas das eleições, a reincorporação das esquerdas e dos movimentos sociais à órbita petista ocorre novamente. Se o discurso neo-udenista da oposição teve o efeito, nos setores conservadores, de acirrar o antipetismo, em setores progressistas teve o efeito colateral de tornar mais acirrado o antitucanismo e o antidemismo.

A estabilidade do segundo governo de um presidente que foi ameaçado de impeachment no primeiro mandato não é, portanto, um produto exclusivo de seu carisma. Ao mesmo tempo em que o governo incorporava ao mercado de consumo enormes levas de excluídos – e alienados – brasileiros, Lula e o PT reincorporavam movimentos sociais que haviam se descolado ao longo dos primeiros anos do primeiro mandato.

A aritmética desse processo político se expressa nos resultados das últimas pesquisas de opinião, amplamente favoráveis à candidata do PT à sucessão de Lula, a ex-ministra Dilma Rousseff. O discurso udenista estreitou o espectro político da oposição, ao mesmo tempo em que provocou uma reunificação numa esquerda divida por um governo excessivamente amplo, que contemplou interesses muito diversos aos defendidos originalmente pelo PT. O partido de Lula, que desde a derrota de 1998 ampliou o seu discurso em direção também ao centro ideológico, acabou sendo avalizado pelos próprios setores conservadores por cumprir as promessas de campanha feitas com a espada do mercado financeiro no pescoço. Não houve quebra de contrato.

Não é uma situação fácil para um candidato oposicionista. Em especial porque o primeiro governo de Lula, marcado por políticas econômicas ortodoxas, rachou também uma base de apoio que era originalmente tucana. O candidato do PSDB, José Serra, não pode acenar com mudanças nem à direita, nem à esquerda – à direita, afugenta a base tradicional tucana; à esquerda, provoca efeito de aproximação maior da base tradicional da esquerda com o PT.

Enquanto, pelo menos em período eleitoral, o PT consegue reunir sua antiga militância, o PSDB, ao se aproximar do discurso do DEM, tem perdido a sua. Alguns setores intelectuais de perfil social-democrata que estiveram na origem do partido até embarcam no discurso antipetista, principalmente em São Paulo, onde há uma polarização que está se tornando histórica, mas dificilmente se incorporam novamente à militância, ou voltam a ser quadros partidários.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br