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Yoko na China

Com um pouco de atraso, o blog entra na campanha “Eu quero ver Yoko na China”, com bingo beneficente hoje à noite na Unicap. Segue o cartaz e o release. Vamos colaborar!

Yoko já marcou a viagem


Jovem tetraplégica viaja para fazer tratamento

com células-tronco na China dia 28 de junho

A jovem Yoko Farias Sugimoto, de 26 anos, já está com as passagens compradas para a China. Ela embarca dia 28 de junho rumo ao país asiático, onde fará um tratamento com células-tronco adultas, extraídas de cordões umbilicais. A viagem vai partir do Recife com destino a Paris, com uma escala em Lisboa. Da capital francesa, Yoko pega outro avião para Dubai. No país árabe, novo voo para Pequim. Lá, uma equipe da Beike Biotech irá esperar a paciente e levá-la para a cidade de Shijiazhuang, onde será feito o tratamento. Ao todo, serão mais de 30 horas de viagem.

Apesar de ter marcado a viagem, o dinheiro para o tratamento completo ainda não está garantido. Yoko já depositou R$ 52 mil na conta da Beike, referente ao tratamento básico, que corresponde a seis aplicações de células-tronco. As passagens para a jovem e seus dois acompanhantes foram doadas pelo pai de Yoko, que mora no Japão. Faltam ainda cerca de R$ 20 mil para duas aplicações extras (tratamento complementar) e alimentação do grupo na China.

Para chegar a este valor, a campanha “Eu quero ver a Yoko na China” está intensificando as ações neste mês de junho. No dia 10 (quinta-feira), será realizado um bingo na Universidade Católica de Pernambuco, no hall do bloco G, a partir das 17h. As cartelas estão sendo vendidas antecipadamente na Assessoria de Comunicação (Assecom) da universidade e na Escola de Música Minami.

A campanha também está vendendo rifas. O prêmio é uma máquina fotográfica e o valor de cada número é R$ 5. Quem quiser comprar, pode entrar em contato através do Twitter @yokonachina ou do e-mail yoko@yokonachina.com.br.  Outra forma de ajudar é comprando camisetas da campanha, que estão à venda no site www.yokonachina.com.br. Cada uma custa R$ 20. No site, também podem ser feitas doações e o processo é totalmente seguro. As doações podem ser feitas, ainda, na conta de Yoko: Banco do Brasil – Agência: 3056-2 Conta Poupança: 8640-1.

HISTÓRIA – Yoko Farias Sugimoto ficou tetraplégica após um acidente numa cama elástica, em julho de 2004. A jovem trabalhava como monitora de um parquinho infantil quando uma colega de trabalho pulou em suas costas e acabou fraturando a coluna. Desde o acidente, Yoko passa por uma série de dificuldades, que vão além da física. Ela não recebeu nenhuma assistência financeira, jurídica ou psicológica do shopping, da empresa que a contratou e da família da colega que provocou o acidente.

Em novembro do ano passado, os amigos iniciaram a campanha “Eu quero ver a Yoko na China”, que tem como objetivo arrecadar recursos para que ela possa fazer um tratamento com células-tronco adultas na China. E estamos cada dia mais perto.

Onde comprar cartelas do bingo:

Universidade Católica de Pernambuco

Assessoria de Comunicação

Rua do Príncipe, 526 – Boa Vista

Assessoria de Comunicação

Telefone: 2119.4409

Escola Minani de Música

Rua Carlos Porto Carreiro, 159 – Boa Vista

Telefone: 3421-1070

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FHC, nosso defensor

Confesso que meu intelecto mediano e alto grau de miopia política (somada aos dois da ocular) não me permitiram alcançar os novos argumentos lançados por FHC contra a candidatura Dilma. Como a leitura direta, de tão clarividente, poderia cegar olhos mais sensíveis, segue o link com trechos comentados:

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2010-04-01_2010-04-30.html#2010_04-03_21_47_19-10045644-0

O ex-presidente explica tudo direitinho, mas não entendo o porquê de tanta indignação. Se um país conseguir um crescimento aos moldes chineses com democracia, eleições livres, imprensa idem, um Estado de Direito consolidado, inclusão social e redução de desmatamentos, seria motivo para soltar fogos de alegria e não lamentações.

Outra coisa me impressionou. Ao temer “um modelo de sociedade que se baseia na predominância de uma forma de capitalismo na qual governo e algumas grandes corporações, especialmente públicas, unem-se sob a tutela de uma burocracia permeada por interesses corporativos e partidários”, o sábio FHC esquece que foram paridos em seu governo os grupos financistas que controlam a economia brasileira e o “polêmico” Daniel Dantas. Quando os economistas do Real enchiam os bolsos com operações cambiais suicidas, FHC bajulava Bill Clinton em troca de afagos inúteis ao país.

FHC está com medo da ameaça vermelha, do crescimento econômico ou do puro e simples esquecimento? Eu não entendi nada mesmo.

O século chinês

Finalmente, leio um texto que diz tudo o que eu queria dizer desde que voltei da China. O responsável foi o inglês Martin Jacques, autor do livro recém-lançado When China Rules the World (vou encomendar ainda hoje). Segue o link para a entrevista:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091026/not_imp456272,0.php

O autor parece esclarecer, de uma vez por todas, alguns pontos fundamentais nesse diálogo entre China e Ocidente e como será o mundo num cenário de hegemonia chinesa. Em todas as letras: os chineses não querem se ocidentalizar em termos profundos como direito, sexualidade, governança etc. Não querem e não precisam.

A cultura chinesa e sua tradição de um Estado forte não nasceram com a Revolução comunista, e a noção de Direito por lá é bem mais refinada que a nossa em vários aspectos (por exemplo, as soluções deles para o debate sobre legalismo vs.  justiça remonta a Confúcio, enquanto no Ocidente tomou fôlego, na melhor das hipóteses, no meio da Idade Média).  A tal “harmonia global” seria a visão chinesa para temas como multiculturalismo e gestão de riscos, por mais estranho que pareça para nós.  Além disso, isso que o autor fala quanto ao sentimento de superioridade é verdadeiro.

Depois de voltar da China e tendo conversado com chineses  de vários níveis culturais (desde PhDs até vendedores de roupa, na medida que o nosso “chinglish” permitia), passei a admirar muito o país e o povo que, além de superarem uma miséria abissal, conseguiram afirmar sua cultura e visão de mundo com bastante convicção e orgulho. Uma mostra disso é que, apesar de todo o desenvolvimento, os chineses jovens continuam dormindo cedo, não gostando de dançar, buscando casamentos duradouros etc. Além, claro, de não se interessarem muito por direitos humanos nem “liberdades”, que, para a grande maioria dos jovens, são conceitos exóticos e perigosos. Eu diria que o máximo de modernidade que um jovem chinês quer é MSN (são viciados), celular, iPod e, claro, aprender inglês para ficar rico. Ou seja, uma modernização utilitária, e não de real crença nas virtudes de Rousseau, Kant e demais.

Fico com apenas um exemplo. Segundo Simone, uma das recepcionistas do hostel onde ficamos, “too much liberties means fights and disorder”. Essa frase soaria como alienação ou pobreza de espírito aos olhos modernizantes do Ocidente, mas posso garantir que é uma ideia de base sólida, pois, como disse, a noção chinesa de direito não lida bem com indivíduos que se acham importantes ou indispensáveis, e baseia-se num coletivismo muito arraigado. Além disso, a confiança no Estado é irrestrita mesmo quando se admite seus erros. Para os mais jovens com quem conversei, o Massacre da Paz Celestial foi apenas um “mistake”, resolvido com um rápido “shit happen, flend”. Por outro lado, todos são obcecados pela ideia de riqueza e ostentação, sendo comum perguntas sobre salário, carro e tamanho de apartamento.  

A pergunta que me faço é: como uma nação gigante que se denomina “terra do meio”, chama o exterior de “pra lá” e os estrangeiros de “peludos” conseguirá, na vera, resolver seus problemas internos de diálogo com minorias e construir um diálogo intercultural equilibrado com o Ocidente? Ou melhor: se eles serão dominantes em algum momento, como o pensamento ocidental típico, incluindo a filosofia e o direito, conseguirá lidar com novos conceitos e aprender com a tradição chinesa?

É claro que essas reflexões não esgotam o problema nem têm precisão suficiente para serem levadas às últimas consequências. Espero, algum dia, escrever sobre minha experiência de poucos dias em Beijing com mais atenção, e, claro, voltar à China para conhecer mais esse país tão maravilhoso e encantador. Só posso concluir, com absoluta certeza, que o século chinês está se armando, e que as coisas estão acontecendo mesmo é do outro lado do mundo.

China, 60 anos (1949-2009)

Hoje, ou desde ontem, foi comemorado na China o 60º aniversário da revolução que fundou a atual República Popular e, com muitos tropeços e vitórias, conseguiu transformar um país de miseráveis numa potência mundial, seguramente a mais importante do mundo daqui a algumas décadas.

Aí vão dois links da Reuters sobre a parada militar do 1º de outubro, algo equivalente ao Carnaval, Natal, Páscoa e São João juntos para os chineses:

http://www.reuters.com/article/newsOne/idUSTRE58T5DU20091001

http://blogs.reuters.com/china/2009/09/30/chinas-60th-anniversary-live/

Eu estava lá durante os preparativos para o desfile, incluindo o inacreditável “Dia do Ensaio” em que Beijing parou. Parar quer dizer parar: pelo menos metade da cidade sem carros nem metrô, prédios evacuados etc. Vi um comboio de cerca de 100 ônibus com estudantes apenas para planejar a posição de cada um, e isso sem contar que em toda a praça Tiananmen (a da Paz Celestial), com 1 semana de antecedência, havia milhares de adesivos indicando as posições de cada participante. E isso ocorre todo ano! Muito louco.

Depois escrevo mais, hoje a velha e boa correria recomeça. Parabéns pra China e pros chineses, eles merecem!

De volta

Ola! Depois de uns bons 15 dias sem acessar o blog, estou de volta. Espero em breve normalizar os posts e colocar coisas novas no ar, tanto pessoais como profissionais.

A viagem foi um aprendizado e tanto. Tanto o Congresso da IVR como a China me surpreenderam positivamente e pude aprender muito sobre filosofia e cultura, alem de conhecer figuras interessantissimas e divulgar meu trabalho. Eh bom sentir que nao esta sozinho no mundo e saber que, apesar de todas as dificuldades e dos inumeros desestimulos do mundo academico local (com boa parte de culpa dos “filisteus”, como diria minha ja saudosa fish-n’-chip-eater Isabela), existe vida inteligente em outros lugares. Sobre o pais, eh simplesmente fascinante. Meus proximos posts farao um passeio por ele, meu backup sentimental.

PS – desculpem pela falta de acentos, mas comprei um computador novo e ainda nao adaptei o teclado para o padrao brasileiro.

Blog de recesso

Daqui a algumas horas pego um avião (de ônibus não rolou…) para Beijing (China), com pequeno flashtour em Amsterdam na ida e volta. O propósito é participar do 24º Congresso Mundial de Filosofia do Direito, organizado pela IVR (http://www.ivr2009.com) e, claro, comer alguns espetinhos de escorpião e comprar muitos produtos Nukia e Adadis, além de um Hi Poc da Appol 🙂

Minha mesa ficou para o dia 16, fim da tarde, com o título “Review on Classic Theses in Legal Philosophy”, na qual apresento o trabalho “The Concept of Governmentality in Michel Foucault as His Last Negation of Law”. Pra quem quiser uma palhinha, segue o link do abstract, além da programação completa dos GTs e palestras.  Promete ser uma experiência e tanto. Mês que vem posto o texto final em inglês e o rascunho em português, embora muito incompleto.

Ou seja, blog hibernando por 2 semanas. De todo modo, agradecemos a preferência. Sunab 198.

PS -meu nome em chinês é 霍奥·查维斯 . Bizarro.