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La Virgen de Copacabana

Hoje, dia 02 de fevereiro, é comemorado na Bolívia e em toda a América Latina o dia da Virgem de Copacabana. A devoção iniciou-se em 1583 na cidade de Copacabana, às margens do lado boliviano do Lago Titicaca, e espalhou-se pelo mundo. Em virtude de uma capela destinada à Virgem no Rio de Janeiro, foi batizada a Praia de Copacabana. Há mais informações aqui.

Infelizmente não pude ir, como pretendia, às festividades em Copacabana, nem subir o Cerro Calvário. No entanto, faço minha homenagem sincera à Virgem, a quem recorri em minhas orações e fui atendido, especialmente com meu ingresso na Defensoria Pública da União.

Sei que esse post é bastante diferente dos demais deste blog. Peço que seja entendido como uma homenagem a todo o povo católico latinoamericano, sem qualquer propósito proselitista. Quem me conhece sabe que raramente falo disso. Fica aqui o testemunho da minha fé.

Serra, o neocon

Retirado do Blog do Nassif (http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/05/29/o-fator-serra-e-as-marcas-no-psdb/). Análise perfeita da situação. Como venho dizendo, essa será uma campanha difícil para o bom senso e a inteligência.

29/05/2010 – 20:39

O fator Serra e as marcas no PSDB

As obviedades dessa campanha são de cansar.

Serra dá o tiro na Bolívia. Aí a Veja aparece com a matéria prontinha, mostrando o perigo boliviano. Daqui a pouco vão ressuscitar os 200 mil guerrilheiros das FARCs que invadirão o Brasil pelo mar.

Agora, o Ruy Fabiano – contratado pela campanha de Serra – levanta a bola na coluna do Noblat, dizendo que graças à falta de ação do Itamarati, esse será uma das peças da campanha.

Onde esse pessoal está com a cabeça? Criaram um mundo circular em que meia dúzia de neocons falam para eles próprios sem se dar conta do entorno. É um autismo assustador. Montam toda uma encenação, articulam aqui e ali, Serra solta o rompante, a Veja repica a matéria, o Fabiano autoelogia o brilhantismo da estratégia do próprio grupo, todos rodopiando no meio do salão escuro, como nas velhas conspirações político-midiáticas, julgando que ninguém está acompanhando o bailado.

E a Internet inteira olhando aquele bailado louco e se indagando: o que deu neles? Montam toda uma encenação, supondo-a esperta, para um tema que só encontra ressonância em eleitores de ultradireita e nos órfãos de Sierra Maestra.

Cada vez que acompanho discussões sobre Cuba, Venezuela, Bolívia, guerra fria, aliás, dá um desânimo danado. São temas não apenas distantes da vida comum, do dia a dia real das pessoas, como da própria realidade política atual do país. É restrito a um mundico de nada na Internet, apenas isso. A importância desse tema é assegurar, no longo prazo, a consolidação de uma integração comercial e física da América Latina, algo que vai muito além das discussões de campanha.

Pode-se criticar pontualmente o Itamarati por uma ou outra atitude – quando, por exemplo, houve a expropriação de empresas brasileiras na Bolívia. Ou pela demora em se avançar na integração continental. Ou pode-se elogiar, sustentando que essa política cautelosa foi importante para garantir a estabilidade política da região, ameaçada pelos arroubos de Chávez e pela inexperiência de Morales.

Mas são discussões específicas, longe de configurar uma doutrina capaz de sensibilizar eleitores.

Em relação ao Mercosul, Serra repete os mesmos discursos dos anos 90, quando questionou o acordo automotivo com a Argentina. Em relação à Bolívia, retrocede ao período da Guerra Fria. Não conseguiu avançar uma análise minimamente diferenciada. É como se tivesse hibernado por 15 anos das discussões nacionais e acordado de repente.

E tudo para garantir o factóide da próxima semana, a próxima chamada de capa de Veja.

Não há a menor preocupação em definir um conjunto articulado de ideias e conceitos. É o que em jornalismo se chama de “o mancheteiro”, o sujeito capaz de extrair um slogan de uma matéria mas incapaz de escrever o artigo de fundo.

O resultado é patético.

Junto à centro-esquerda tornou-se uma caricatura. Quando cruzo com algum antigo militante do PSDB de Montoro e Covas, recebo olhares irônicos, tipo «em que fomos nos meter». Junto aos neocons, sempre será apenas um oportunista que quer embarcar na onda sem nunca ter pertencido ao grupo.

O resultado de tudo isso é o suicídio político de Serra. Terminada a aventura das eleições, haverá uma reconstrução da oposição. E, hoje em dia, sobram dúvidas sobre a viabilidade do PSDB de continuar comandando as oposições. As loucuras desse estilo neocon desvairado, a truculência nos ataques a adversários e a aliados, o uso de jornalistas cúmplices para atacar colegas, não apenas comprometeram a eleição de Serra, mas a própria viabilidade do PSDB como líder da nova oposição.

Será um duro trabalho de reconstrução da imagem do partido.

Serra e a Bolívia

Pelo visto, nosso candidato a presidente (aliás, candidato dos outros, meu é que não é…) José Serra pretende reimplantar no Brasil a política externa desastrosa do seu mestre FHC.

Ao criticar um dos nossos vizinhos mais estratégicos no plano energético e geopolítico com um argumento pífio e toscamente elaborado, Serra começa a dar as caras. O pior é que esse discurso do “war on drugs” ficou tão entranhado nos remanescentes do governo FHC que não se percebe como os EUA usam isso para perseguir países de modo aleatório.  Uma pena que o Brasil se arrisque a embarcar de novo nesse projeto pequeno e entreguista, com o apoio doentio da imprensa golpista. Segue a notícia:

http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/05/para-serra-governo-da-bolivia-e-cumplice-do-trafic.html

Carnaval y charango

O clima do carnaval ainda não bateu, e conceitos pernambucanos como “irreverência” e “passo” parecem meio longínquos.

Pelo menos um sinal estranho: hoje cheguei em casa com uma vontade danada de ouvir charango, instrumento de 10 cordas típico da música andina e que alegra até defunto. Eu fiquei apaixonado pela sonoridade quando fui à Bolívia (2007) e até comprei um pra mim na viagem ao Equador (2009), mas o bichinho é dificil de tocar. O tal “rasqueo”, então, é impossível.

Em homenagem ao famoso Carnaval de Oruro, na Bolívia, que dizem ser fantástico, um videozinho do grande charanguista Hector Soto:

Para conhecer algumas possibilidades do charango, há um belo estudo de um anônimo:

É ouvir e bater uma saudade. Não há lugar mais bonito que o Altiplano – a natureza e sua gente.

O “drama” dos brasileiros

Nessa última semana, a notícia mais irritante para mim foi a dos brasileiros isolados em Machu Picchu, devido às fortes chuvas no Peru. Chegaram a chamar Águas Calientes, um balneário turístico de apoio no sopé do Putucusi e perigosamente nas margens do Rio Urubamba, de “cidade inca”, como no link abaixo do JC. No dia que Águas Calientes for isso aí, Recife será uma metrópole asteca.

Essa história passou dos limites por criar uma tempestade num copo d’água. Quem já teve a felicidade de ir a Machu Picchu de trem, saindo de Cusco e chegando em Águas Calientes, sabe que a região é chuvosa e muito, mas muito complicada em termos de acesso. O Rio Urubamba é forte (vide foto acima, tirada por este que vos escreve) e Águas está num processo de favelização de hostales, com um em cada esquina e desmatando as encostas da montanha. A chuva provoca, dentre outras coisas, a interdição programada dos acessos em fevereiro, e historicamente causa o fechamento de estradas, acidentes de ônibus devido a guaycos, mortes e um sem-número de problemas.

 E onde entram os brasileiros? No falso drama criado pela imprensa decadente dessas bandas. Numa cidade que vive de turismo e tem literalmente um restaurante por habitante, não há quem possa passar fome. Dormir em lugar improvisado, qualquer mochileiro sabe como é. Turista rico? Vai pro Machu Picchu Lodge, com quartos caríssimos e piscina privativa. O resto é esperar abrir a estrada com calma e remarcar a passagem, e aproveitar a estada forçada para acabar o estoque de maiz tostada e pisco sour do vilarejo. E, se solteiro(a), investir no networking afetivo transcontinental.

Mas, pelo visto, até os mochileiros do Brasil curtem uma de turista prego CVC. Queriam que fosse deslocado um avião da Minustah no Haiti pra resgatar pobres brazucas isolados na selva peruana, quando o governo local está cuidando da situação? Coisas da vida. Em 2007, passei 1 dia inteiro esperando a reconstrução de uma estrada em Cotagaita, interior da Bolívia, sem água nem comida. O rio bateu na janela do ônibus e quase virou o bicho, mas se não aguentasse não teria ido. 

Agora torço de verdade para que tudo seja reconstruído o mais rápido possível, e que esse tormento sirva para o governo peruano dar um freio na ocupação desordenada de Águas Calientes e implantar um maior controle no acesso de Machu Picchu, que é um dos lugares mais espetaculares onde alguém pode estar.

É o cara – 2

Falei ontem de Lula, mas esqueci de uma notícia que, por descuido ou preguiça, deixei de comentar por aqui. Falo da reeleição de Evo Morales para mais um mandato como Presidente da Bolívia.

Morales conseguiu, durante o primeiro mandato, algo que parecia impossível: restabelecer crescimento econômico e dignidade para um país miserável, que vive oprimido pela dependência de um único produto de exportação e pela burrice de sua elite branca, os “cambas” de Santa Cruz. Apesar de, durante a crise do gás, ter sido pintado pelo PIG brasileiro como um monstro esquerdista e ditador, Evo representou um esforço de conciliação num país dividido, freando os movimentos golpistas.

Em 2007, passei 15 dias na Bolívia (Uyuni, Potosí, Sucre, La Paz e Copacabana) e pude constatar de onde vem a legitimidade de Evo. Ao contrário dos “cambas”, os “collas” do Altiplano – a população indígena – veem no seu governo a única chance, desde a ocupação espanhola, de assumirem uma posição de controle sobre suas riquezas naturais e melhorias de qualidade de vida, coisa que nenhum dos últimos governos neoliberais conseguiu. Coisas simples como bolsas de assistência social e aposentadoria para idosos foram conquistas suas, assim como melhorias no sistema educacional e de saúde. A reeleição não o deixa mentir, sendo para mim ainda mais relevante e simbólica que a de Lula, por ser a Bolívia um país infinitamente mais pobre que o nosso. 

Que chore o PIG nacional e a elite crucenha…ele é o cara!

http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=9&i=5674