Um réquiem para Texticulos

Quem não lembra da Texticulos de Mary, melhor banda da transição dos anos 90 pros 2000 do Recife?

Shows catárticos, provocação num nível absurdo até mesmo para padrões mais progressistas (várias histórias de censura, cortes etc.), letras inteligentes, um radicalismo difícil de ser copiado. Aliás, essa ausência total de limite parece ter dado causa a toda a incompreensão mundial que levou ao fim da banda.

Vamos trocar ideias sobre Texticulos e relembrar os clássicos:

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Audiências no JEF e depoimento pessoal

Momento jurídico chato.

Como todos ao meu redor sabem, eu odeio processo civil e amo fazer piadas com processualistas, essas pessoinhas adoráveis que se preocupam com a natureza jurídica das coisas mais insignificantes do universo, verdadeiros Lineus em Lilliput.

Talvez por isso eu não entenda o que se passou comigo em mais de uma audiência cível que fiz no Juizado Especial Federal, aqui em São Paulo. Ao pedir humildemente que o autor (meu assistido) fosse ouvido em audiência de instrução, fui recebido com um mantra: depoimento pessoal é prova exclusiva do réu.

Ou seja, em mais de um caso o autor, que esperou mais de um ano para ver o rostinho bonito do Judiciário, não pode abrir a boca para falar sobre os fatos ou, apenas, seus sentimentos, dano moral, opinião etc. Além de ser uma profunda descortesia com o jurisdicionado, parece-me haver um direito das partes em serem ouvidas em audiência, com base em: a) princípio da oralidade; b) art. 28 da Lei nº 9.099/95 (“serão ouvidas as partes”); ou ainda c) art. 452, II  do CPC, subsidiariamente.

Por favor, leitores processualistas, ajudem-me a decifrar esse enigma dos juízes paulistanos. Eu confio em vocês 🙂

O eterno estouro de Tapacurá

Uma das (des)razões de amar o Recife é amá-lo radicalmente em suas contradições, defeitos, vícios, obscuridades. O amor quase macabro por um certo ar infantil que a cidade, em pleno século XXI, parece conservar.

Como todo recifense, passei a vida vendo e ouvindo falar de água. Um tópico maravilhoso em conversas com meus pais e pessoas mais velhas sempre foi o das grandes cheias, especialmente a de 1975 que, no imaginário da mauricéia, parece ser uma entidade com corpo e alma – A Grande Cheia de 75 – sempre acompanhada de seu fiel escudeiro, O Boato.  Ele fica pro final.

Pois agora, à distância, sofro com as chuvas e as enchentes de Pernambuco. Me preocupo com o horário da maré, com as cabeceiras, com as várzeas. Senti uma tristeza imensa em cogitar que, talvez, meu antigo bairro da Madalena sofresse com a subida de nível do Capibaribe – nosso vulcão particular, como meu amigo  Kleber Mendonça sugeriu no Twitter. Amar o Recife é também sofrer e ter saudade do caos.

Hoje O Boato, aquele sobre o transbordamento ou rompimento de Tapacurá voltou aos ares do Recife. Nos tempos da internet, ele persiste, não dá trégua, assombra e lembra como somos humanos. E infantilmente recifenses. No fundo, queremos de algum modo que ele se materialize, quase como profecia.

Pois eu vivi O Boato de longe, numa sala pequena e num dia até ensolarado. Acho que, como o Recife, ele está dentro de mim.

Aos que nada entenderam, não se preocupem: é coisa estranha mesmo. Seguem textos explicativos:

http://revistaalgomais.com.br/blog/?p=2743

 http://fatitavieira.blogspot.com/2011/01/tapacura-estourou.html

Cumbia!

Minha recente viagem a Colômbia na Semana Santa serviu para confirmar uma coisa: eu adoro ouvir cumbia! Esse ritmo colombiano, que se popularizou bastante na Argentina e era sempre mencionado por Carlitos Tevez em sua passagem pelo Brasil, é quase viciante de tão bom.

Aliás, uma coisa irritante é que boa parte dos grupos que dizem tocar “música latina” em Recife – Capim Cubano, Academia da Berlinda – são na verdade belos covers de cumbia, mas não dão o crédito ao ritmo e fazem crer que é uma espécie de salsa. Bem, eu não sou musicólogo.

Agora, na sequência, três videozinhos simpáticos.

O primeiro é uma cumbia clássica e pegajosa, a argentina “Pollera amarilla” (Saia amarela), na voz de Gladys – La Bomba Tucumana:

E agora, uma proposta mais moderna, que eu conheci no último Recbeat do Carnaval 2011. É um grupo massa chamado Kumbia Queers, que faz versões incríveis de rock para cumbia. Quero agora vê-las em São Paulo. Essas em seguida são das clássicas These boots are made for walking, de Nancy Sinatra, e Sheena is a punk rocker, dos Ramones:

Retorno

Dessa vez eu passei do limite. Depois de irritar toda a minha timeline do Twitter, alunos, amigos e populares com pedidos para que entrassem no blog, passo exatos dois meses sem escrever nada.

Não sei o que aconteceu. Um monte de coisas boas – notas sobre o carnaval, filmes, temas jurídicos, filosofia – perdeu-se no caminho, e agora nem vou me aventurar a lembrar de tudo. No entanto, recomeçou a temporada 2011 de bobagens, agora cada vez menos comprometidas com minha (ex?) atividade como professor.

Aguardem! 🙂

#freeastronete

Hoje de madrugada, saindo para comer um pedaço de pizza no…Pedaço de Pizza, percebi que o Astronete, baladinha da R. Matias Aires, estava interditado, com uma parede de tijolos na frente. Achei que era engano meu, mas agora, no aeroporto rumo ao Recife, vejo essa notícia:

http://guia.uol.com.br/noite/ult10049u884054.shtml

Além de adorar o lugar, que ao lado do Studio SP é o espaço mais legal do Baixo Augusta (Bar do Netão é hors concours, todos sabem), começo a temer pelo meu bairro. O Astronete consegue aliar preço justo (R$ 15), público decente e música boa, não dá pra fechar assim.

Seguindo a sugestão da dona, lanço a campanha #freeastronete, minha primeira ação cívica em prol de São Paulo (sim, porque pedir doação de ouro está meio demodé). Divulguem 🙂

E rumo ao Carnaval!

Dicionário de Pernambuquês

Já em clima carnavalesco de regresso – temporário… – a Recife e Olinda, compartilho com os leitores não iniciados esse resuminho do pernambuquês, nosso pequeno vernáculo do coração. O cara é muito engraçado e tem um sotaque bastante honesto, desses que a gente só usa quando está lá.

Para um aprofundamento nessa arte linguística, sugiro a leitura do “Minidicionário de Pernambuquês”, de Bertrando Bernardino, editado pela Bagaço.