Arquivo da categoria: Recife

Dell’igiene e salute

Há poucas coisas que definam tão bem o excesso de controle urbano da prefeitura de São Paulo e seu síndico Kassab como essa proibição à galinha a cabidela informada por Xico Sá:

http://xicosa.folha.blog.uol.com.br/arch2011-05-08_2011-05-14.html

Faltou mencionar os preços estratosféricos das agulhas fritas no Recife (hoje se pede uma, antes eram 20 ou 30 numa reles manhã de domingo na beira-mar de Olinda) e a repulsa paulistana ao sarapatel, verdadeira preciosidade sanguíneo-pernambucana) que ainda provoca tentação em mim, pobre vegetariano.

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Tapacurá reloaded

Continuando o post “O eterno estouro de Tapacurá“, segue excelente especial do JC sobre os eventos da última quinta, traçando um paralelo entre os dois momentos:

http://www2.uol.com.br/JC/sites/tapacura/index.html

O eterno estouro de Tapacurá

Uma das (des)razões de amar o Recife é amá-lo radicalmente em suas contradições, defeitos, vícios, obscuridades. O amor quase macabro por um certo ar infantil que a cidade, em pleno século XXI, parece conservar.

Como todo recifense, passei a vida vendo e ouvindo falar de água. Um tópico maravilhoso em conversas com meus pais e pessoas mais velhas sempre foi o das grandes cheias, especialmente a de 1975 que, no imaginário da mauricéia, parece ser uma entidade com corpo e alma – A Grande Cheia de 75 – sempre acompanhada de seu fiel escudeiro, O Boato.  Ele fica pro final.

Pois agora, à distância, sofro com as chuvas e as enchentes de Pernambuco. Me preocupo com o horário da maré, com as cabeceiras, com as várzeas. Senti uma tristeza imensa em cogitar que, talvez, meu antigo bairro da Madalena sofresse com a subida de nível do Capibaribe – nosso vulcão particular, como meu amigo  Kleber Mendonça sugeriu no Twitter. Amar o Recife é também sofrer e ter saudade do caos.

Hoje O Boato, aquele sobre o transbordamento ou rompimento de Tapacurá voltou aos ares do Recife. Nos tempos da internet, ele persiste, não dá trégua, assombra e lembra como somos humanos. E infantilmente recifenses. No fundo, queremos de algum modo que ele se materialize, quase como profecia.

Pois eu vivi O Boato de longe, numa sala pequena e num dia até ensolarado. Acho que, como o Recife, ele está dentro de mim.

Aos que nada entenderam, não se preocupem: é coisa estranha mesmo. Seguem textos explicativos:

http://revistaalgomais.com.br/blog/?p=2743

 http://fatitavieira.blogspot.com/2011/01/tapacura-estourou.html