Arquivo da categoria: poesia

Rosa Amarela

Encontrei há alguns minutos um videozinho massa. Versão de Rosa Amarela, poesia de Carlos Pena Filho musicada e cantada por Junio Barreto com imagens dos puteiros da Augusta.

E o que tem a Augusta a ver com isso? Só quem já andou por ela à noite vai entender como ela é a rua mais debochadamente recifense de São Paulo – ou ao menos do Recife que amamos.

 

 

 

 

Paulo Leminksi

Por essas razões desconhecidas da vida, nunca escrevi sobre Paulo Leminski em mais de 1 ano de blog. Vacilo imperdoável.

Leminski é um dos maiores poetas brasileiros, mestre dos hai-kais e de uma acidez meio desesperançosa, temperada com inesperada inocência. Para relembrar, seguem abaixo alguns poemas e links:

INCENSO FOSSE MÚSICA

isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

***

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

***

AMOR BASTANTE

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

***

http://www.fabiorocha.com.br/Leminski.htm

http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/


Biografia de Charles Bukowski

Não posso começar a escrever isso sem fazer uma ressalva: este post é uma homenagem aos maiores visitantes do blog com exceção óbvia aos meus alunos – os leitores de Charles Bukowski.

Digo isso porque, diariamente, sei quais foram os termos usados em mecanismos de busca que trouxeram pessoas para cá. E, acreditem se quiser, “Bukowski” tem mais relevância que o nome do blog ou mesmo meu próprio nome. O sujeito é um fenômeno…

Pois, agora, estou feliz por ter comprado uma biografia do “velho safado” que me pareceu definitiva. O livro chama-se “Charles Bukowski: locked in the arms of a crazy life” e foi escrito por Howard Sounes que, ao que me consta, também escreveu a de Bob Dylan. O cara deve ser bom.

Vou começar a ler em breve, mas deu pra perceber que a vida de Bukowski consegue ser bem explorada para além de Henry Chinaski e do mito do escritor velho, que trabalhou a vida toda nos Correios. Há partes relevantes sobre a relação entre Buk, ex-mulheres e Marina, sua filha (relação explorada de modo cruel em Cartas na rua), uma visão menos pessoal da infância e, de modo geral, um sentimento de paixão pelo Buk real que, de fato, nunca será desvinculado daquele dos livros. Aliás, ainda consigo um dia copiar algumas poesias no original do  The pleasures of the damned para colar aqui. É…don’t even try

 

Camino del Indio

Espero, algum dia, me dedicar mais a ler, ouvir e divulgar a obra de Atahualpa Yupanqui, um gênio latinoamericano. Isso vai desde colocar links no blog até, um dia, traduzir um de seus livros para o português, se me alcança o talento para tanto…

A homenagem de hoje é “Camino del Indio”, escrita por ele ainda antes dos 20 e numa versão muito antiga, com a voz não tão madura. É o começo de um Top 10 Atahualpa.

Ben Vautier

Por favor, alguém me explique que site maluco é esse:

http://www.ben-vautier.com/

Maluco e genial. Acho que o melhor exemplo prático de hipertextualidade e navegação virtual por “ondas”, que em breve vai ser lançada pelo Google. Gostei muito do tal Ben Vaultier e aos poucos espero explorar cada parte. Ah, o site está em francês.

Sem palavras

Morre, na Argentina, a inesquecível Mercedes Sosa, aos 71 anos.

Não há como descrever a importância de Mercedes, “La Negra”, para a música de toda a América Latina. Nem elencar todas as suas brilhantes interpretações, desde clássicos do folklore argentino até a nossa MPB.

Fico com uma lembrança para animar o domingo e a semana, de um momento genial de sua carreira pela música do igualmente gênio Atahualpa Yupanqui.

Als das Kind Kind war – para Isabela

Para relembrar minha amiga Isabela, que tanta falta está fazendo para todos nós que a conhecemos (e ouvimos milhares de vezes suas ideias e encantamentos sobre Oscar Wilde – “a sword is just a sword…”, “to define is to limit…”), uma poesia linda em alemão (com tradução parcial), que abre o ainda mais lindo Asas do Desejo de Win Wenders. O que conforta é saber que ela está adorando estar na Inglaterra e tem um futuro brilhante pela frente, realizando muitos sonhos de todos nós na luta eterna contra os filisteus. Beijo, Bela!

Lied Vom Kindsein 
– Peter Handke 


Als das Kind Kind war, 
ging es mit hängenden Armen, 
wollte der Bach sei ein Fluß, 
der Fluß sei ein Strom, 
und diese Pfütze das Meer.

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