Arquivo da categoria: Livros

Torquato Neto na Bienal

Fui no feriado dar uma volta pela Bienal de Arte de São Paulo e, por um absoluto acaso, tive em minhas mãos um volume da primeira edição do Últimos dias de Paupéria, coletânea de textos jornalísticos, manifestos e poesia do GÊNIO, em maiúsculas, Torquato Neto. Talvez o organizador da instalação, uma espécie de biblioteca viva com cadeiras e portas para espaços secretos, nem lembre dessa preciosidade.

Verdadeiro marco do tropicalismo, o piauiense Torquato mereceria muito mais loas que a glorificação quase que exclusiva de Caetano e Gil como ícones do período. Se algum outro admirador aparecer por esse post, podemos começar uma conversa boa sobre vida e obra.

Por enquanto, e como sempre na correria, mando apenas um registro meio ruinzinho de Gal Costa cantando Mamãe, Coragem. Infelizmente não achei no Youtube a versão clássica dela, de 1968.  Vai também a letra.

Mamãe coragem

Mamãe, mamãe, não chore
A vida é assim mesmo
Eu fui embora
Mamãe, mamãe, não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe, mamãe, não chore
A vida é assim mesmo
Eu quero mesmo é isto aqui.

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Maus para todos

Um dos mais geniais livros em quadrinhos já escrito é Maus, de Art Spiegelman. Fundamental para quem quer entender melhor o Holocausto, essa obra multipremiada pega qualquer leitor – já confirmei com mais de 20 – e não larga mais. Duvido deixar pela metade, quase todo mundo lê num só golpe as mais de 200 páginas.

Para facilitar o acesso, consegui um link para download. Quem leu, comente por aqui.

Paulo Leminksi

Por essas razões desconhecidas da vida, nunca escrevi sobre Paulo Leminski em mais de 1 ano de blog. Vacilo imperdoável.

Leminski é um dos maiores poetas brasileiros, mestre dos hai-kais e de uma acidez meio desesperançosa, temperada com inesperada inocência. Para relembrar, seguem abaixo alguns poemas e links:

INCENSO FOSSE MÚSICA

isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

***

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

***

AMOR BASTANTE

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

***

http://www.fabiorocha.com.br/Leminski.htm

http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/


Jessé e a ralé

Estou empolgado com a leitura do livro A ralé brasileira: quem é e como vive, do sociólogo Jessé Souza. Isso só confirma minha certeza de que Jessé hoje é o pensador mais interessante do Brasil e consegue fazer uma belíssima e ácida releitura da tradição deixada por Gilberto Freyre e, por outro lado, de Sérgio Buarque de Holanda, Florestan Fernandes e Roberto Da Matta. Ou seja, um olhar crítico sobre o modo de pensar o Brasil e os brasileiros.

Gosto muito de outro livro de Jessé, chamado A modernização seletiva, pela revisão teórica e ênfase em Gilberto Freyre. Dessa vez, há uma pesquisa de fôlego e com muita observação participante, na qual uma equipe de alto nível passou a conviver com a ralé (assim mesmo, sem aspas) e entender seus modos de socialização, que vão desde o amor até o direito.

Ao assumir esse conceito pesado e questionar a eficácia de medidas de “inclusão social” pautadas apenas em valores econômicos, o livro põe o dedo na ferida para mostrar que, no Brasil, a ralé constitui um grupo indispensável para qualquer análise, assim como a imposição de padrões da elite e classe média que se introjetam de modo inconsciente no nosso modo de compreendê-la (e de sua própria autocompreensão).

O melhor de tudo é que, ao contrário de outras obras de sociologia, esse livro pode ser lido por qualquer pessoa com um mínimo de senso crítico, mesmo que não seja da área. Indico fortemente a leitura, ao menos dos primeiros capítulos escritos por Jessé Souza e de algumas das pesquisas específicas. Só não tenho tempo, agora, de escrever algo mais elaborado sobre o livro, mas bem que queria…

Buk e a birita

Minhas incursões sobre Charles Bukowski (opa!) estão dando bons frutos. Recebi agora uma excelente indicação bibliográfica: o “Guia de Drinques dos Grandes Escritores Americanos”, publicada pela Jorge Zahar. Link

Segundo Cecília, da Edelman/Zahar, o drinque favorito do velho Buk era o Spoilermaker, preparado com whisky e cerveja e, segundo ele, ideal para ficar bêbado depressa. Isso merece um teste empírico, com urgência 🙂

Links novos

Adicionei mais dois links ótimos na lista:

1) Blog Direitos Fundamentais, de George Marmelstein Lima – não o conheço pessoalmente, mas Marmelstein foi um pioneiro na ideia de blogs jurídicos e sempre forneceu muita coisa boa na área de direito constitucional e, por que não?, sugestões de preparação para concursos públicos. Bom sobretudo para quem está na graduação ou com dificuldades em entrar numa teoria constitucional mais atualizada.

2) Biblioteca Jurídica Virtual, patrocinada pela UNAM (México) – centenas de livros jurídicos de várias áreas em PDF na “estantería”, prontos para serem lidos e baixados. Parece mentira, mas não é. Para iniciar o passeio, a dica é o volume de “La segunda vida del derecho romano” de Guillermo Margadant (link), melhor que qualquer análogo doméstico.

Mangabeira Unger, impressionante!

Também como aquisição recente está o livro de Roberto Mangabeira Unger, nosso ex-ministro, chamado “O direito e o futuro da democracia”. É a tradução de um clássico dele What Should Legal Analysis Become? (1996), que eu sempre prometia comprar e nunca tinha coragem ou dedicação para ler. 

O cara é gênio. Li um capítulo inteiro e, de cara, abriu-se um leque de possibilidades muito boas de trabalho, além de ter tido o prazer de entrar um pensamento claro, com concisão e pouco rebuscamento. Estou particularmente interessado no conceito de “poliarquia radical” como novo horizonte para o direito e espero escrever melhor sobre o livro inteiro no futuro. Aliás, tem um monte de livros nessa categoria perigosa aqui em casa…

Site de Mangabeira Unger em Harvard:

http://www.law.harvard.edu/faculty/unger/intro.php

Link direto para o livro “O direito na sociedade moderna” de 1976 (traduzido em portugês e hoje esgotado):

http://www.law.harvard.edu/faculty/unger/portuguese/direi.php