Arquivo da categoria: Coisas detestáveis

Coisas detestáveis – varrer calçada com mangueira

Um dos hábitos mais execráveis do meu microcosmo da Consolação, por onde caminho diariamente dentro de um quadrilátero aproximado de 12 quadras entre Bela Cintra, Fernando de Albuquerque, Frei Caneca e Paulista, é o de lavar calçadas com mangueira. Hoje mesmo, na saída para a padaria, desviei de uns 5 chafarizes móveis, com uma torneira numa ponta, um esguicho na outra e um pobre coitado no meio.

Num país em que as pessoas morrem de SEDE, e com regiões que sofrem ou já sofreram racionamentos de SEMANAS SEM ÁGUA, é inadmissível que alguém ligue uma mangueira para tirar folhas, gravetos ou simplesmente areia de suas calçadas. Dá vontade de puxar a mangueira e dar uma vassoura pra criatura, embora a ânsia de quebrar o cabo em sua cabeça seja grande. Sei que esse desperdício de um recurso tão precioso é devido, muitas vezes, à falta de informação, mas dá tristeza (ou, como os paulistanos dizem, “muita dó”) de ver essa estupidez repetida diariamente.

Mas é preciso ser compreensivo com os hábitos locais, não é mesmo? Em Recife também há quem faça isso, aqui não tem racionamento, a água limpa melhor…

Coisas desprezíveis – no jogo de futebol

Para alimentar essa série ridícula de posts, mas que estranhamente vem agradando a um setor bastante crítico de leitores, umas notinhas curtas sobre o reino sagrado do desprezo: o futebol. Por enquanto, só as irritações de dentro das quatro linhas.

***

Primeira coisa desprezível: chute de fora da área sem força e sem a menor ambição de fazer gol. Eu pago mensalidades, ingresso, campanha de papel higiênico e o escambau para ver um canalha qualquer vestir a camisa do Sport e se livrar da bola por pura e simples incompetência. E o pior é que são sempre os mesmos a fazer a mesma coisa por anos! Um sujeito que desse chutes a gol sem querer fazê-los em qualquer profissão seria demitido. Mas futebol é assim, é bom chutar mal de longe para testar o goleiro, um dia entra etc.

***

A segunda é um mistério do futebol. Não tem nome oficial, mas eu chamo de “escanteio curtinho”. O modus operandi é bem simples: o jogador, ao cobrar o escanteio, toca para outro a 1 metro de distância, que escora a bola para o cobrador bater de novo. Eu nunca vi um gol sair dessa tática bisonha. Mas futebol é assim, o que importa é confundir a defesa, quebrar o posicionamento etc.

***

A última é um problema pessoal. Quer coisa mais cretina que jogador chamando técnico de “professor” em coletiva? E jornalista? É o fim dos tempos. A grande maioria não é nem professor de educação física, e quando muito tem algum tipo de preocupação didática sobre a futebolística (uma honrosa exceção foi o saudoso Telê Santana). Espero que um dia alguém diga que está “à disposição do treinador” – sem conotação sexual – e pare de banalizar esse epíteto. Mas se gato e cachorro ensina até em faculdade de direito, viva o Professor Toninho Cerezo.

Coisas detestáveis – modos verbais errados

Mais uma pra série 🙂

Essa outra coisinha a se observar nem é tão detestável. É mais um vício de linguagem provocado por alguma razão específica que não entendo, pois até gente muito boa comete.

Falo do infinitivo confundido com o presente do indicativo. Quantas vezes não li frases como “ele vai está hoje em tal lugar” ou “ele estar um pouco doente”, ou ainda “não sei se dar para ir ao cinema”? Isso me dá (e não “dar”) uma dor no coração a cada vez que leio. Será que é tão difícil, ao escrever, pensar na regra e não apenas na sonoridade? E nem venham com a alegação de ser linguagem de MSN, já que até em blogs profissionais e jornais eu já pude ler essas pérolas. Ou mudamos a regra ou escrevemos certo – uma coisa é informalidade e contração de palavras (tb, vc, pq…), outra é não saber em que tempo falar.

Mas o que importa é transmitir a ideia, não é mesmo?

Coisas detestáveis – whisky com gelo

Com esse post vou começar a compilar algumas pequenas coisas da vida cotidiana que me irritam. Práticas idiotas, vícios perniciosos, hábitos detestáveis, chamem como quiserem.

A primeira delas é resumida numa imagem:

Pois é. Whisky com gelo. Todo mundo toma, todo mundo gosta, mas eu fico indignado ao ver essa mistura hedionda ser sacolejada por mãos de gente ébria, especialmente em casamentos e formaturas.

Basta pensar que alguém, baseado em séculos de experiência, aplicou métodos refinados para retirar do malte toda a água e criar uma bebida pura, com várias nuances de aroma e sabor. Um 12 anos qualquer, por exemplo. Depois chega um fulano para derramar uma dose da birita em 5 pedras de gelo e, de quebra, joga água mineral por cima, enchendo o copo até a boca. Disso resulta um líquido amorfo, de gosto diluído que mais parece um resíduo de copo lavado. É inimaginável pra mim ter prazer com um drink bizarro desses. Afinal, como é que alguém toma algo misturado com água? Se não gosta do sabor, não tome. Se acha forte, ponha menos na boca.

Pra mim, whisky é puro, também conhecido como “cowboy”, ou num drink digno como um “whisky sour” ou mesmo o “Jack and Coke” (embora Jack Daniels seja “whiskey”, não whisky). Mas gosto é gosto, não é mesmo?