Biutiful

 

Biutiful, novo filme do Iñarritu, provocou um certo sentimento coletivo de simpatia e quase comiseração pelo Uxbal, personagem de Javier Bardem. Filhos pequenos, com câncer, batalhando por dinheiro de modos ilícitos etc. Enfim, uma história bastante triste.

No entanto, tomando a obra inteira e excluindo a boa composição do personagem de Bardem, o resultado final soa fofo, desconexo com as pretensões de quem o realizou – o mesmo Iñarritú de Babel ou 21 gramas, do desejo de fazer épicos da vida cotidiana e criar empatias artificiais entre os seres humanos que filma.

Antes, não gostava muito da narrativa fragmentada do Iñarritu, por achar que ela estava ali mais para disfarçar a fragilidade do argumento que para reforçá-lo. Agora, sem o roteirista anterior (foi o que soube) e com uma linearidade tradicional, qualquer efeito mais profundo do filme é perdido pela fixação na batalha filmada, no excesso de imagem e de pontas abertas que vão diluindo o roteiro. Lembrei de uma colega professora que fala sempre que uma tese (ou um filme, por que não?) jamais pode ser vista como uma árvore de Natal, em que se pendura tudo. De mediunidade a romance gay chinês, chegamos a uma paella mal-ajambrada de retalhos, sempre na superfície.

Tenho absoluta certeza que não fui claro e essa é uma crítica bastante pobre ao Biutiful, mas a autoimponência tornou-se o meu ponto nevrálgico, minha implicância pessoal e instransferível nos últimos meses. Não entrei na onda e isso dificulta tudo.

Visto no Cine Livraria Cultura, janeiro de 2011.

 

 

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