Além da vida

Agora sim, uma verdadeira tuitada – não cumprida no longo post de ontem 🙂

Gostei muito do Além da vida, novo de Clint Eastwood. Desde o primeiro momento, com uma bem montada sequência de tsunami, foi possível sentir alguém com domínio da imagem e, principalmente, do que está por trás dela.

Falo na ênfase sobre o impacto da morte em vidas banais. Se em Gran Torino ou Menina de Ouro, para citar dois recentes do Clint, há pessoas que matam pessoas em ambientes notoriamente inóspitos (a rua, um ringue), agora a violência vem da natureza (o tsunami), pelo acaso (o trânsito) ou pelo passado (o trauma). Sempre felicidade esmagada…

Se for traçado um paralelo com o peculiar tailandês Tio Boonmee do Apichatpong(?), baseado numa cosmogonia bem diferente, temos duas histórias de fantasmas que transcendem um plano separado para penetrar o espaço comum. As saídas de um e outro na tela foram diferentes – Clint aposta na fala do médium, Apichatpong na incorporação à natureza -, mas ambos trazem embutidos um respeito absoluto pela dor e pela superação. Ambas honestas, humanas.

No Além da vida, fiquei impressionado com a força de um diálogo em especial, entre os personagens vividos por Matt Damon e Bryce Dallas Howard. Uma cena clássica, sem música opressiva – meu problema atual – e que fala mais dos vivos que dos mortos. Aliás, esse pareceu o recado que uniu todas as  histórias, formando uma obra bem consistente.

Visto no Cine Livraria Cultura, janeiro de 2011.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s