Cisne Negro

cisne negro

Para reanimar este combalido blog, vou postar umas notas curtinhas sobre minhas impressões sobre os filmes do Oscar 2011. A quantidade faz com que eu vá reduzindo o tamanho dos textos, que agora vão beirar uma tuitada. Também, haja filme em cartaz aqui em São Paulo, parecem gremlins que se multiplicam todo fim de semana…

A expectativa geral para Cisne Negro era grande e eu me deixei levar. Muita gente boa gostou, eu mesmo já sabia que Natalie Portman teria uma atuação destacada, mas o resultado geral pareceu meio fofo, cheio de autoindulgência e uma certa preguiça. Não passou do razoável.

Vou recapitular minha relação com os filmes do Darren Aronofsky. Adorei Pi pelas ousadias e clima.  Gostei de Réquiem para um Sonho, apesar de criticar o excesso de maneirismos, que beiram gags, e que não tiram a força de grandes cenas (uma na parte final, com Jeniffer Connelly, ainda me toca). Por fim, sou defensor de O lutador, pelo respeito ao diálogo entre o personagem e o ator, e aos fracassados na vida cotidiana.

Agora, os muitos méritos do filme (atuação empenhada de Portman e sutil de Vincent Cassel, ambientação rara dos bastidores de uma companhia de ballet, argumento crível) foram eclipsados por um afobamento bem maior que o necessário. Ao investir em muitos movimentos de câmera e no peso da trilha sonora, pontuando cada respiração da bailarina neurótica, senti um condutor com certo medo de não ser compreendido.

Se alguns filmes pecam pelo excesso de roteiro falado, quase radiofônico como diria Kleber Mendonça (A origem é exemplo recente), Cisne Negro insiste em desmembrar visualmente cada plano ao infinito como se não fosse possível ao espectador montar, ele próprio, um trajeto psicológico para a Nina Sayers de Portman. O recurso aos espelhos funciona bem, mas cansa e não é alimentado por nada além do desejo de conferir imponência num nível desnecessário.

Ficaria encantado em ver a história correr mais solta, sem esse dedo nervoso a tentar passar a voltagem de 110 para 220V a fórceps. Por enquanto, um lançamento celebrado fica para mim anotado como um filme menor por não acreditar honestamente em sua qualidade mais particular – o sofrimento que surge da cobrança externa contra a do nosso interior, num silencioso vazio.

Visto no Unibanco Augusta, em 13/02/2011.

PS – Descobri algo pior que cheiro de pipoca em cinema: cheiro de cerveja. Quente. Maldita vizinha de cadeira…

 

 

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3 Respostas para “Cisne Negro

  1. Leonardo Ibraim

    Não percebo esse medo de não ser compreendido em Cisne Negro. Não acho que Aronofsky esteja preocupado em explicar, mas em aprofundar. Cada cena de, naminha opinião, realce, me deixava maisangustiado. Isso se deve à atuação mais que empenhada, no mínimo inspirada, de Portman, e, sobretudo, à fotografia do filme. Brilhante. Acredito mesmo que Cisne Negro esteja bem à frente de A Origem, este sim menospreza a inteligência do espectador, tornando-se apenas um legal blockbuster, cheio de cenas legais e uma histótia interessante, mas que não chega perto de Matrix, por exemplo.

  2. Leonardo Ibraim

    De Prata é de se esperar polêmica, hehehe. Lembro que fiz comentário do teu comentário, não do filme. Ah, discordo aindamaisde Prataemrelação aofilme.

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