Arquivo do mês: fevereiro 2011

SPORT, Campeão Brasileiro de 1987

Mais uma vez sou convidado pela “grande” mídia carioca e pela patifaria da CBF a homenagear o SPORT CLUB DO RECIFE, único e soberano Campeão Brasileiro de 1987.

Espero que a associação presidida pelo bandido Ricardo Teixeira esteja preparada para sua desfiliação da Fifa e Conmebol nos próximos dias, por desrespeito a decisões da Justiça Desportiva e da Justiça Comum brasileira, ambas transitadas em julgado, que tornam inócua qualquer divisão de título.

Aí vai o Hino “SPORT, Campeão do Brasil”:

O Leão,  o Leão do Norte,
Rugiu mais forte, garboso e varonil,
Foi o rugido destemido do SPORT,
Que fez de PERNAMBUCO campeão do meu Brasil

Da luta, veio a vitória,
Contra a escória do futebol
Castores, Tubinos, Bragas e outras pragas de mesma escol
NO GRAMADO VENCEU CONTRA QUEM JOGOU
e nos Tribunais deu em quem fugiu

SAUDEMOS COM ORGULHO E DESTEMOR,
SPORT CAMPEÃO DO BRASIL!

CAZÁ, CAZÁ, CAZÁ, CAZÁ, CAZÁ! A TURMA É MESMO BOA, É MESMO DA FUZARCA! SPORT, SPORT, SPORT!

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Biutiful

 

Biutiful, novo filme do Iñarritu, provocou um certo sentimento coletivo de simpatia e quase comiseração pelo Uxbal, personagem de Javier Bardem. Filhos pequenos, com câncer, batalhando por dinheiro de modos ilícitos etc. Enfim, uma história bastante triste.

No entanto, tomando a obra inteira e excluindo a boa composição do personagem de Bardem, o resultado final soa fofo, desconexo com as pretensões de quem o realizou – o mesmo Iñarritú de Babel ou 21 gramas, do desejo de fazer épicos da vida cotidiana e criar empatias artificiais entre os seres humanos que filma.

Antes, não gostava muito da narrativa fragmentada do Iñarritu, por achar que ela estava ali mais para disfarçar a fragilidade do argumento que para reforçá-lo. Agora, sem o roteirista anterior (foi o que soube) e com uma linearidade tradicional, qualquer efeito mais profundo do filme é perdido pela fixação na batalha filmada, no excesso de imagem e de pontas abertas que vão diluindo o roteiro. Lembrei de uma colega professora que fala sempre que uma tese (ou um filme, por que não?) jamais pode ser vista como uma árvore de Natal, em que se pendura tudo. De mediunidade a romance gay chinês, chegamos a uma paella mal-ajambrada de retalhos, sempre na superfície.

Tenho absoluta certeza que não fui claro e essa é uma crítica bastante pobre ao Biutiful, mas a autoimponência tornou-se o meu ponto nevrálgico, minha implicância pessoal e instransferível nos últimos meses. Não entrei na onda e isso dificulta tudo.

Visto no Cine Livraria Cultura, janeiro de 2011.

 

 

Jogo de Carta?

Sou assinante e defensor de longa data da revista Carta Capital.

No entanto, desde o ano passado estou irritado com a abordagem dada ao caso Cesare Battisti. De um jornalismo opinativo, a Carta transitou abruptamente e sem avisar rumo ao puro panfletarismo, ou mesmo ódio contra o “inimigo da Itália”.

Aliás, a verborragia de Mino Carta em seus editoriais virou um mantra. Tanto ele como seus repórteres (Cynara Menezes) e colunistas (Walter Maierovitch) inundaram a revista com conceitos e palavras que, de tão peculiares, chegam a assustar: rapina, ações eversivas, “crimes de sangue”, “traição do compromisso histórico”. E, claro, a frase definitiva: “a Itália enfrentou o terrorismo sem leis de exceção e sem mexer em uma linha de sua Constituição democrática”. Enfim, uma peroração chatíssima. Eu mesmo parei de levar a sério lá pelos idos de novembro.

Agora, vem a pérola. A Carta Capital cortou uma resposta do Ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota sobre o caso Battisti, enxertando uma explicação que tenta desqualificar a tese do governo, sem sequer permitir seu conhecimento. Segue a transcrição:

CC: Sobre o caso Cesare Battisti: se o Brasil não confia na Justiça italiana, por que mantém acordo de extradição com a Itália?

O  ministro diz ter a respeito uma “resposta-padrão” e, de certa forma, cai em contradição. Fala, obviamente, da amizade que une Brasil e Itália e afirma que o caso Battisti é individual e “está encapsulado dentro de um contexto meramente judicial”. O Estado italiano, que se considera ofendido pela recusa à extradição, vê traído o acordo firmado com o Brasil, ou seja, a própria lei. A ideia de que o caso tem de ser encarado de um ângulo “meramente judicial” confirma que o Brasil não confia na Justiça italiana. Ao menos por enquanto.

O texto integral está aqui: http://www.cartacapital.com.br/politica/a-politica-sul-sul-e-prioridade

Foi um papelão. Infelizmente, mesmo fora do PIG há exemplos de mau jornalismo. Espero uma boa explicação de Mino Carta, que parece estar um tanto confiante demais na qualidade de sua revista e não ligar mais para seus leitores.

Rosa Amarela

Encontrei há alguns minutos um videozinho massa. Versão de Rosa Amarela, poesia de Carlos Pena Filho musicada e cantada por Junio Barreto com imagens dos puteiros da Augusta.

E o que tem a Augusta a ver com isso? Só quem já andou por ela à noite vai entender como ela é a rua mais debochadamente recifense de São Paulo – ou ao menos do Recife que amamos.

 

 

 

 

Além da vida

Agora sim, uma verdadeira tuitada – não cumprida no longo post de ontem 🙂

Gostei muito do Além da vida, novo de Clint Eastwood. Desde o primeiro momento, com uma bem montada sequência de tsunami, foi possível sentir alguém com domínio da imagem e, principalmente, do que está por trás dela.

Falo na ênfase sobre o impacto da morte em vidas banais. Se em Gran Torino ou Menina de Ouro, para citar dois recentes do Clint, há pessoas que matam pessoas em ambientes notoriamente inóspitos (a rua, um ringue), agora a violência vem da natureza (o tsunami), pelo acaso (o trânsito) ou pelo passado (o trauma). Sempre felicidade esmagada…

Se for traçado um paralelo com o peculiar tailandês Tio Boonmee do Apichatpong(?), baseado numa cosmogonia bem diferente, temos duas histórias de fantasmas que transcendem um plano separado para penetrar o espaço comum. As saídas de um e outro na tela foram diferentes – Clint aposta na fala do médium, Apichatpong na incorporação à natureza -, mas ambos trazem embutidos um respeito absoluto pela dor e pela superação. Ambas honestas, humanas.

No Além da vida, fiquei impressionado com a força de um diálogo em especial, entre os personagens vividos por Matt Damon e Bryce Dallas Howard. Uma cena clássica, sem música opressiva – meu problema atual – e que fala mais dos vivos que dos mortos. Aliás, esse pareceu o recado que uniu todas as  histórias, formando uma obra bem consistente.

Visto no Cine Livraria Cultura, janeiro de 2011.

 

Cisne Negro

cisne negro

Para reanimar este combalido blog, vou postar umas notas curtinhas sobre minhas impressões sobre os filmes do Oscar 2011. A quantidade faz com que eu vá reduzindo o tamanho dos textos, que agora vão beirar uma tuitada. Também, haja filme em cartaz aqui em São Paulo, parecem gremlins que se multiplicam todo fim de semana…

A expectativa geral para Cisne Negro era grande e eu me deixei levar. Muita gente boa gostou, eu mesmo já sabia que Natalie Portman teria uma atuação destacada, mas o resultado geral pareceu meio fofo, cheio de autoindulgência e uma certa preguiça. Não passou do razoável.

Vou recapitular minha relação com os filmes do Darren Aronofsky. Adorei Pi pelas ousadias e clima.  Gostei de Réquiem para um Sonho, apesar de criticar o excesso de maneirismos, que beiram gags, e que não tiram a força de grandes cenas (uma na parte final, com Jeniffer Connelly, ainda me toca). Por fim, sou defensor de O lutador, pelo respeito ao diálogo entre o personagem e o ator, e aos fracassados na vida cotidiana.

Agora, os muitos méritos do filme (atuação empenhada de Portman e sutil de Vincent Cassel, ambientação rara dos bastidores de uma companhia de ballet, argumento crível) foram eclipsados por um afobamento bem maior que o necessário. Ao investir em muitos movimentos de câmera e no peso da trilha sonora, pontuando cada respiração da bailarina neurótica, senti um condutor com certo medo de não ser compreendido.

Se alguns filmes pecam pelo excesso de roteiro falado, quase radiofônico como diria Kleber Mendonça (A origem é exemplo recente), Cisne Negro insiste em desmembrar visualmente cada plano ao infinito como se não fosse possível ao espectador montar, ele próprio, um trajeto psicológico para a Nina Sayers de Portman. O recurso aos espelhos funciona bem, mas cansa e não é alimentado por nada além do desejo de conferir imponência num nível desnecessário.

Ficaria encantado em ver a história correr mais solta, sem esse dedo nervoso a tentar passar a voltagem de 110 para 220V a fórceps. Por enquanto, um lançamento celebrado fica para mim anotado como um filme menor por não acreditar honestamente em sua qualidade mais particular – o sofrimento que surge da cobrança externa contra a do nosso interior, num silencioso vazio.

Visto no Unibanco Augusta, em 13/02/2011.

PS – Descobri algo pior que cheiro de pipoca em cinema: cheiro de cerveja. Quente. Maldita vizinha de cadeira…

 

 

La Virgen de Copacabana

Hoje, dia 02 de fevereiro, é comemorado na Bolívia e em toda a América Latina o dia da Virgem de Copacabana. A devoção iniciou-se em 1583 na cidade de Copacabana, às margens do lado boliviano do Lago Titicaca, e espalhou-se pelo mundo. Em virtude de uma capela destinada à Virgem no Rio de Janeiro, foi batizada a Praia de Copacabana. Há mais informações aqui.

Infelizmente não pude ir, como pretendia, às festividades em Copacabana, nem subir o Cerro Calvário. No entanto, faço minha homenagem sincera à Virgem, a quem recorri em minhas orações e fui atendido, especialmente com meu ingresso na Defensoria Pública da União.

Sei que esse post é bastante diferente dos demais deste blog. Peço que seja entendido como uma homenagem a todo o povo católico latinoamericano, sem qualquer propósito proselitista. Quem me conhece sabe que raramente falo disso. Fica aqui o testemunho da minha fé.