Arquivo do mês: julho 2010

Di / Glauber

O nosso assíduo leitor André pergunta, no post sobre Antonio das Mortes, se eu conheço e gosto do curta “Di”, realizado por Glauber Rocha.

Como escrevi lá, acho uma linda homenagem, de muita delicadeza. Um verdadeiro réquiem. No entanto, a família de Di Cavalcanti lutou muito para impedir a divulgação.

Quem quiser saber o tema do curta e o motivo da polêmica pode ver as duas partes no Youtube:

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Coisas desprezíveis – no jogo de futebol

Para alimentar essa série ridícula de posts, mas que estranhamente vem agradando a um setor bastante crítico de leitores, umas notinhas curtas sobre o reino sagrado do desprezo: o futebol. Por enquanto, só as irritações de dentro das quatro linhas.

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Primeira coisa desprezível: chute de fora da área sem força e sem a menor ambição de fazer gol. Eu pago mensalidades, ingresso, campanha de papel higiênico e o escambau para ver um canalha qualquer vestir a camisa do Sport e se livrar da bola por pura e simples incompetência. E o pior é que são sempre os mesmos a fazer a mesma coisa por anos! Um sujeito que desse chutes a gol sem querer fazê-los em qualquer profissão seria demitido. Mas futebol é assim, é bom chutar mal de longe para testar o goleiro, um dia entra etc.

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A segunda é um mistério do futebol. Não tem nome oficial, mas eu chamo de “escanteio curtinho”. O modus operandi é bem simples: o jogador, ao cobrar o escanteio, toca para outro a 1 metro de distância, que escora a bola para o cobrador bater de novo. Eu nunca vi um gol sair dessa tática bisonha. Mas futebol é assim, o que importa é confundir a defesa, quebrar o posicionamento etc.

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A última é um problema pessoal. Quer coisa mais cretina que jogador chamando técnico de “professor” em coletiva? E jornalista? É o fim dos tempos. A grande maioria não é nem professor de educação física, e quando muito tem algum tipo de preocupação didática sobre a futebolística (uma honrosa exceção foi o saudoso Telê Santana). Espero que um dia alguém diga que está “à disposição do treinador” – sem conotação sexual – e pare de banalizar esse epíteto. Mas se gato e cachorro ensina até em faculdade de direito, viva o Professor Toninho Cerezo.

Nelson Freire em Recife

Mais uma vez, imperdível: Nelson Freire com a Orquestra Sinfônica do Recife em duas noites no Teatro de Santa Isabel, nesta quinta e sexta. Pra melhorar, entrada franca.

Ver um dos maiores pianistas mundiais é sempre uma excelente pedida, e indico especialmente àqueles que querem se familiarizar com a música erudita.

http://jc.uol.com.br/canal/lazer-e-turismo/noticia/2010/07/28/orquestra-sinfonica-do-recife-completa-80-anos-com-serie-de-concertos-230337.php

Frevos para download

Essa foi uma grande descoberta que quero compartilhar. Encontrei por acaso na net o maravilhoso blog O Frevo, com discos excepcionais de vários compositores, orquestras e estilos.

http://www.ofrevo.blogspot.com/

Sempre tive dificuldade em encontrar frevos pelo Torrent, e acho que nem os CDs de Spok estão disponíveis nesse formato. Agora, posso baixar os discos de um em um e fazer um belo arquivo. Vamos divulgar o site e, claro, essa música que está no DNA do pernambucano.

Antonio das Mortes

Vi esse post no blog do Nassif e não pude deixar de comentar:

http://www.brasilianas.org/blog/luisnassif/antonio-das-mortes

Antonio das Mortes, personagem criado pelo gênio Glauber Rocha e imortalizado pela atuação igualmente genial de Maurício do Valle, seria o equivalente brasileiro aos cowboys de John Wayne, ou aos samurais de Toshiro Mifune. Um misto de conservadorismo, violência e ódio rebelde, uma espécie de anti-Lampião.

Escolher a melhor cena de Antonio das Mortes é páreo duro. Fico com as duas mais óbvias: a morte de Corisco (Othon Bastos) em Deus e o diabo na terra do sol e a caminhada triste entre os caminhões no fim de O dragão da maldade contra o santo guerreiro, ao som de sua música-tema. Só encontrei o vídeo dessa última, lá vai:

Aliás, O dragão da maldade… está todo no Youtube, dividido em umas 10 partes. A resolução é ruim, mas nada pior que o VHS no qual assisti há uns 15 anos 🙂

Coisas detestáveis – modos verbais errados

Mais uma pra série 🙂

Essa outra coisinha a se observar nem é tão detestável. É mais um vício de linguagem provocado por alguma razão específica que não entendo, pois até gente muito boa comete.

Falo do infinitivo confundido com o presente do indicativo. Quantas vezes não li frases como “ele vai está hoje em tal lugar” ou “ele estar um pouco doente”, ou ainda “não sei se dar para ir ao cinema”? Isso me dá (e não “dar”) uma dor no coração a cada vez que leio. Será que é tão difícil, ao escrever, pensar na regra e não apenas na sonoridade? E nem venham com a alegação de ser linguagem de MSN, já que até em blogs profissionais e jornais eu já pude ler essas pérolas. Ou mudamos a regra ou escrevemos certo – uma coisa é informalidade e contração de palavras (tb, vc, pq…), outra é não saber em que tempo falar.

Mas o que importa é transmitir a ideia, não é mesmo?

Coisas detestáveis – whisky com gelo

Com esse post vou começar a compilar algumas pequenas coisas da vida cotidiana que me irritam. Práticas idiotas, vícios perniciosos, hábitos detestáveis, chamem como quiserem.

A primeira delas é resumida numa imagem:

Pois é. Whisky com gelo. Todo mundo toma, todo mundo gosta, mas eu fico indignado ao ver essa mistura hedionda ser sacolejada por mãos de gente ébria, especialmente em casamentos e formaturas.

Basta pensar que alguém, baseado em séculos de experiência, aplicou métodos refinados para retirar do malte toda a água e criar uma bebida pura, com várias nuances de aroma e sabor. Um 12 anos qualquer, por exemplo. Depois chega um fulano para derramar uma dose da birita em 5 pedras de gelo e, de quebra, joga água mineral por cima, enchendo o copo até a boca. Disso resulta um líquido amorfo, de gosto diluído que mais parece um resíduo de copo lavado. É inimaginável pra mim ter prazer com um drink bizarro desses. Afinal, como é que alguém toma algo misturado com água? Se não gosta do sabor, não tome. Se acha forte, ponha menos na boca.

Pra mim, whisky é puro, também conhecido como “cowboy”, ou num drink digno como um “whisky sour” ou mesmo o “Jack and Coke” (embora Jack Daniels seja “whiskey”, não whisky). Mas gosto é gosto, não é mesmo?