Arquivo do mês: maio 2010

Sociedade de consumo…

…é isso aí. Macabro.

Serra, o neocon

Retirado do Blog do Nassif (http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/05/29/o-fator-serra-e-as-marcas-no-psdb/). Análise perfeita da situação. Como venho dizendo, essa será uma campanha difícil para o bom senso e a inteligência.

29/05/2010 – 20:39

O fator Serra e as marcas no PSDB

As obviedades dessa campanha são de cansar.

Serra dá o tiro na Bolívia. Aí a Veja aparece com a matéria prontinha, mostrando o perigo boliviano. Daqui a pouco vão ressuscitar os 200 mil guerrilheiros das FARCs que invadirão o Brasil pelo mar.

Agora, o Ruy Fabiano – contratado pela campanha de Serra – levanta a bola na coluna do Noblat, dizendo que graças à falta de ação do Itamarati, esse será uma das peças da campanha.

Onde esse pessoal está com a cabeça? Criaram um mundo circular em que meia dúzia de neocons falam para eles próprios sem se dar conta do entorno. É um autismo assustador. Montam toda uma encenação, articulam aqui e ali, Serra solta o rompante, a Veja repica a matéria, o Fabiano autoelogia o brilhantismo da estratégia do próprio grupo, todos rodopiando no meio do salão escuro, como nas velhas conspirações político-midiáticas, julgando que ninguém está acompanhando o bailado.

E a Internet inteira olhando aquele bailado louco e se indagando: o que deu neles? Montam toda uma encenação, supondo-a esperta, para um tema que só encontra ressonância em eleitores de ultradireita e nos órfãos de Sierra Maestra.

Cada vez que acompanho discussões sobre Cuba, Venezuela, Bolívia, guerra fria, aliás, dá um desânimo danado. São temas não apenas distantes da vida comum, do dia a dia real das pessoas, como da própria realidade política atual do país. É restrito a um mundico de nada na Internet, apenas isso. A importância desse tema é assegurar, no longo prazo, a consolidação de uma integração comercial e física da América Latina, algo que vai muito além das discussões de campanha.

Pode-se criticar pontualmente o Itamarati por uma ou outra atitude – quando, por exemplo, houve a expropriação de empresas brasileiras na Bolívia. Ou pela demora em se avançar na integração continental. Ou pode-se elogiar, sustentando que essa política cautelosa foi importante para garantir a estabilidade política da região, ameaçada pelos arroubos de Chávez e pela inexperiência de Morales.

Mas são discussões específicas, longe de configurar uma doutrina capaz de sensibilizar eleitores.

Em relação ao Mercosul, Serra repete os mesmos discursos dos anos 90, quando questionou o acordo automotivo com a Argentina. Em relação à Bolívia, retrocede ao período da Guerra Fria. Não conseguiu avançar uma análise minimamente diferenciada. É como se tivesse hibernado por 15 anos das discussões nacionais e acordado de repente.

E tudo para garantir o factóide da próxima semana, a próxima chamada de capa de Veja.

Não há a menor preocupação em definir um conjunto articulado de ideias e conceitos. É o que em jornalismo se chama de “o mancheteiro”, o sujeito capaz de extrair um slogan de uma matéria mas incapaz de escrever o artigo de fundo.

O resultado é patético.

Junto à centro-esquerda tornou-se uma caricatura. Quando cruzo com algum antigo militante do PSDB de Montoro e Covas, recebo olhares irônicos, tipo «em que fomos nos meter». Junto aos neocons, sempre será apenas um oportunista que quer embarcar na onda sem nunca ter pertencido ao grupo.

O resultado de tudo isso é o suicídio político de Serra. Terminada a aventura das eleições, haverá uma reconstrução da oposição. E, hoje em dia, sobram dúvidas sobre a viabilidade do PSDB de continuar comandando as oposições. As loucuras desse estilo neocon desvairado, a truculência nos ataques a adversários e a aliados, o uso de jornalistas cúmplices para atacar colegas, não apenas comprometeram a eleição de Serra, mas a própria viabilidade do PSDB como líder da nova oposição.

Será um duro trabalho de reconstrução da imagem do partido.

Tabela da Copa

Até agora, a melhor tabela da Copa 2010 é essa, do jornal espanhol Marca. O único problema é o fuso horário que não bate, mas basta reduzir 5 horas.

http://www.marca.com/deporte/futbol/mundial/sudafrica-2010/calendario.html

Serra e a Bolívia

Pelo visto, nosso candidato a presidente (aliás, candidato dos outros, meu é que não é…) José Serra pretende reimplantar no Brasil a política externa desastrosa do seu mestre FHC.

Ao criticar um dos nossos vizinhos mais estratégicos no plano energético e geopolítico com um argumento pífio e toscamente elaborado, Serra começa a dar as caras. O pior é que esse discurso do “war on drugs” ficou tão entranhado nos remanescentes do governo FHC que não se percebe como os EUA usam isso para perseguir países de modo aleatório.  Uma pena que o Brasil se arrisque a embarcar de novo nesse projeto pequeno e entreguista, com o apoio doentio da imprensa golpista. Segue a notícia:

http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/05/para-serra-governo-da-bolivia-e-cumplice-do-trafic.html

O calor da Unicap

Soube com um certo atraso do vídeo lançado no Youtube por alguns alunos em protesto contra o calor da Unicap. Para a posteridade, eis a obra:

Agora vamos a alguns pontos sobre ele:

1 – No geral, eu gostei da ideia. O calor da Unicap não é brincadeira e ninguém aguenta mais entrar e sair daqueles elevadores que mais parecem estufas.

2 – Sem querer ser chato, achei a proposta um pouco acanhada. Se é para debochar, deveria ter um monte de gente de sunga, guarda-sol, cadeira de praia e meninas de biquini. Também cairia bem ver a turma toda com ventiladores, ou uns eunucos com abanadores para o professor 🙂

3 – Há, para mim, um só problema nessa associação implícita entre calor e ar condicionado. Para mim, o problema está: a) no excesso de alunos em sala, que comportam até 70 quando foram planejadas para 30; b) nos elevadores, que além de poucos e pequenos são precários e desligados aleatoriamente por economia (isso sim é absurdo); c) na ausência de alternativas mais simples, baratas e ecossustentáveis, como a busca de ventiladores mais modernos ou abertura de novos combogós nas paredes.

No mais, espero não precisar ir dar aulas de pijama ou sunga na Unicap. Ninguém merece ver essa cena bisonha 🙂

Eros Grau e a interpretação

Na última segunda tivemos em IED 2 um bom debate sobre a interpretação jurídica a partir de Betti e Gadamer. É sempre curioso como um autor tradicional e vindo de uma escola bastante vinculada à ideia clássica de direito – sim, eles, os civilistas – tem sugestões intuitivas e muito legais sobre o problema da interpretação, nesse diálogo com um hermeneuta da filosofia.

Para relembrar, segue o vídeo introdutório do seminário, com palestra do Professor Eros Grau. Os blocos seguintes podem ser encontrados via Youtube.

De volta

Depois de mais de 1 mês de ausência, o blogueiro retomou as atividades. Aos pouquinhos vou escrever sobre algumas ideias que tive ao longo desse período e tentar explorar temas novos. Obrigado pela compreensão 🙂