Futebol nos trópicos

Por razões que a própria razão desconhece, ainda me motivo a ir ao Arruda para ver mais um Clássico das Multidões, arrastando junto a família.

Não me queixo da multidão, o que seria contraditório para quem torce por um time das massas (o bem-sucedido, e não o outro). O que me irritou ontem foi ver, mais uma vez, como essas histórias de reforma são um engodo, e perceber com tristeza que a torcida em Pernambuco ainda é tratada como lixo por todos. Polícia, clubes, governo…todos.

Após um trânsito infernal e caminhar da Avenida Norte até a Rua das Moças com o jogo já começado, percebo que os portões do visitante estão fechados e com a cavalaria cercando os portões. Motivo: ingógnita. Ninguém informa, avisa, organiza, nada. Percebo então que não há nenhum tipo de catraca ou bilheteiro, e tudo havia se transformado numa zona. E eu comprei ingresso por R$ 20, sem disposição de dar viagem perdida.

Depois de perambular pelos 2 portões, dei a sorte de encontrar um PM simpático que me disse que os dois anéis estavam entupidos de gente. Todavia, por sermos brancos e com cara de rico, pudemos entrar pelo lado – e sem mostrar os ingressos. Motivo dado pelo policial: “entra logo, boy, esse estádio é uma esculhambação mesmo”.

Dentro, o velho e bom (I)Mundão do Arruda: goteiras, escadas semidestruídas, poças d’água, cheiro de urina. Ou seja, mais uma reforminha “me engana que eu gosto”, provavelmente com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

E nem falei de ônibus quebrado, arrastão, pedradas, bombas, Inferno x Jovem etc. Pelo menos dessa vez não vi nada.

Pergunto, então, como um Estado desses quer construir mais um estádio e ter um futebol competitivo sem saber ao menos controlar um acesso de arquibancada e garantir direitos básicos para o consumidor. O Estatuto do Torcedor chegou por aqui como uma promessa imediatamente descumprida. Como diria Marcelo Neves (rubro-negro, ao contrário do irmão e cartola Zé), é um álibi para protelar as conquistas no âmbito do direito. Não deu em nada. 

E nós ainda nos submetemos a esse tratamento. É a vida…

Sobre o clássico, foi muito bom. Bela festa de aniversário, com direito a mais de um “Parabéns pra Você” em 10 mil vozes. Fiquei com pena do Santinha.  Coitado, mas antes ele do que eu.

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