O “drama” dos brasileiros

Nessa última semana, a notícia mais irritante para mim foi a dos brasileiros isolados em Machu Picchu, devido às fortes chuvas no Peru. Chegaram a chamar Águas Calientes, um balneário turístico de apoio no sopé do Putucusi e perigosamente nas margens do Rio Urubamba, de “cidade inca”, como no link abaixo do JC. No dia que Águas Calientes for isso aí, Recife será uma metrópole asteca.

Essa história passou dos limites por criar uma tempestade num copo d’água. Quem já teve a felicidade de ir a Machu Picchu de trem, saindo de Cusco e chegando em Águas Calientes, sabe que a região é chuvosa e muito, mas muito complicada em termos de acesso. O Rio Urubamba é forte (vide foto acima, tirada por este que vos escreve) e Águas está num processo de favelização de hostales, com um em cada esquina e desmatando as encostas da montanha. A chuva provoca, dentre outras coisas, a interdição programada dos acessos em fevereiro, e historicamente causa o fechamento de estradas, acidentes de ônibus devido a guaycos, mortes e um sem-número de problemas.

 E onde entram os brasileiros? No falso drama criado pela imprensa decadente dessas bandas. Numa cidade que vive de turismo e tem literalmente um restaurante por habitante, não há quem possa passar fome. Dormir em lugar improvisado, qualquer mochileiro sabe como é. Turista rico? Vai pro Machu Picchu Lodge, com quartos caríssimos e piscina privativa. O resto é esperar abrir a estrada com calma e remarcar a passagem, e aproveitar a estada forçada para acabar o estoque de maiz tostada e pisco sour do vilarejo. E, se solteiro(a), investir no networking afetivo transcontinental.

Mas, pelo visto, até os mochileiros do Brasil curtem uma de turista prego CVC. Queriam que fosse deslocado um avião da Minustah no Haiti pra resgatar pobres brazucas isolados na selva peruana, quando o governo local está cuidando da situação? Coisas da vida. Em 2007, passei 1 dia inteiro esperando a reconstrução de uma estrada em Cotagaita, interior da Bolívia, sem água nem comida. O rio bateu na janela do ônibus e quase virou o bicho, mas se não aguentasse não teria ido. 

Agora torço de verdade para que tudo seja reconstruído o mais rápido possível, e que esse tormento sirva para o governo peruano dar um freio na ocupação desordenada de Águas Calientes e implantar um maior controle no acesso de Machu Picchu, que é um dos lugares mais espetaculares onde alguém pode estar.

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