Invictus

Como já disse Kleber Mendonça Filho, numa definição perfeita, Clint Eastwood é um diretor que continua fazendo filmes de mogno numa indústria que se acostumou com plástico e papelão.

Com Invictus não é diferente. Apesar de ser inferior em roteiro e profundidade a outros da obra recente de Eastwood, como o genial Gran Torino do ano passado, nesse filme há o resgate de um roteiro clássico de filme sobre esportes que mescla batalhas pessoais com a força de um dos maiores ícones do século XX, Nelson Mandela, em interpretação excelente de Morgan Freeman. 

A ligação entre a Copa do Mundo de Rugby de 1995 e o fim do apartheid  na África do Sul é tramada como algo decisivo ou o ponto final de um processo dramático e conduzido magistralmente por Mandela, embora fique um ar de certo exagero para quem não sabe muitos detalhes. Se desconsiderarmos isso, é emocionante sua presença na tela, pois a aura de reconciliação e superação das diferenças parece sempre sincera. Isso é impressionante num filme como esse, em que os clichês são inevitáveis e necessários para manter o gênero claro – uma característica de Eastwood, como se respeitasse o cinema americano clássico.

Na verdade, esse me pareceu o paradoxo central de Invictus: fazer que um melodrama esportivo e político não perca a força e o poder de emocionar com honestidade, sem apelos. Talvez em uma condução não tão lúcida como a desse senhor de 80 anos, a biografia de Mandela fosse arrastada para um filme B de quinta. Com ele, a dignidade da vida real não desaparece. 

Visto no Plaza, 31/1/10.

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