Vício frenético

Pelas reações no cinema após a sessão e alguns comentários por fora, só eu e alguns poucos gostaram de Vício Frenético, esse filme estranho de Werner Herzog que é, na verdade, um remake de Abel Ferrara (esse eu não vi). Como esse alemão genial é um dos meus diretores favoritos e autor de obras geniais como Fitzcarraldo, nem fiquei muito impressionado. E olhe que eu odiava as atuações de Nicolas Cage com todas as minhas forças…

A história do policial de Nova Orleans com dores crônicas de coluna e viciado em cocaína é, no mínimo, estranha, pelo tom absurdo que cada situação toma e pela sensação de que aquela loucura toda não vai parar nunca. Cage está numa atuação fantástica e minimalista, dando uma espécie de pausa irônica de Herzog no ritmo acelerado. Aliás, o humor do diretor é, como sempre, uma atração à parte, especialmente quando iguanas aparecem e na já clássica cena da alma dançando (essa está no trailer).

Em resumo, eu senti em Vício frenético o que todo mundo diz que sentiu em Bastardos inglórios, sendo que nesse eu não entrei no clima. O prazer de ver um filme com momentos de catarse e um risinho permanente no canto da boca.

Visto no Plaza, 16/01/2010.

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4 Respostas para “Vício frenético

  1. Marina Rosado

    Eu confesso que achei a atuação do Cage uma das melhores, também odeio com todas as forças os personagens que ele TENTA dar vida. Mas o filme, a meu ver foi muito louco, nunca tinha visto nenhuma produção desse diretor e com calma pensei depois, realmente, tem um senso embutido muito interessante. A visão do vício de um homem da lei que lida com situações que ele mesmo se vê aprisionado, eu achei bom. Mas não espetacular.

    • direitoesubjetividade

      Todo filme de Herzog é assim, e esse nem foi o melhor. O filme nem é do cara e ele consegue deixar claro qual é a visão bizarra dele sobre as pessoas e jogar o olhar meio desprezível de sempre sobre tudo. Para mim, a ordem é essa:

      1) Fitzcarraldo: atuação psicótica de Klaus Kinski no meio da mata com uma missão doentia. Meu filme motivacional de estimação, o conceito de dificuldade de qq um muda depois de vê-lo. É um dos filmes mais humanos que conheço.

      2) Homem Urso: documentário baseado em imagens filmadas por um ambientalista que vivia metade do ano entre os ursos numa reserva florestal americana. Gostava tanto que terminou comido por um. A desconstrução que Herzog opera é, no mínimo, curiosa.

      3) Aguirre, a Cólera dos Deuses: novamente com Kinski, é a megalomania levada ao limite.

      E olha que perdi O Sobrevivente, com Christian Bale, e muita coisa só está disponível pela internet. Quero me dedicar mais a ele no futuro, mas por enquanto fiquei com essa briga antológica que está no Meu melhor inimigo, filme de Herzog sobre seu melhor ator:

  2. Marina Rosado

    Vou me informar mais a respeito e ver algumas das indicações, sei que Nosferatu foi dirigido pelo Herzog juntamente com a colaboração do Kinski, esse eu tinha ideia, mas os outros não.
    Bom saber!

    • direitoesubjetividade

      Esqueci de comentar: tinha repulsa por Nicolas Cage desde que ele matou “Asas do Desejo” de Win Wenders num remake tenebroso chamado “Cidade dos Anjos”. Agora melhorou um pouquinho 🙂

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