1989-2009

Para marcar o último dia de 2009, li de um fôlego só o excepcional livro 1989: O ano que mudou o mundo, de Michael Meyer, por sugestão de Gustavo Santos. Que livro fantástico!

Meyer cobriu o ano de 1989 como correspondente da Newsweek nos países do Leste Europeu da antiga Cortina de Ferro, num período de extrema escassez de informações e mudanças dramáticas. O que se destaca na análise, que mescla impressões da época, depoimentos posteriores e avaliações novas, é que a queda do Muro de Berlim não ocupa o centro das atenções. Além disso, o fim da Guerra Fria não é apontado como obra do “mundo livre” ou da diplomacia americana, como se tenta fazer crer.

A ênfase está em dois pilares. O primeiro, de que o comunismo caiu “de dentro”, quando Gorbachev tirou o time da URSS de campo e deixou os países buscarem alternativas próprias. O segundo, de que pequenas iniciativas e sabotagens ao regime, como a genialmente descrita “abertura” da Hungria comandada por Miklos Németh, formaram uma teia heterogênea que não seguiu nenhum projeto capitalista ou ocidental de liberdade. É impressionante como cada processo nacional, desde a pacífica Revolução de Veludo na Tchecoslováquia até o julgamento e morte de Nicolau Ceausescu na Romênia, foi coberto e analisado. 

Infelizmente não dá para esgotar todas as impressões, mas é sem dúvida um marco para os que, como eu, acompanharam 1989 crianças, mas ainda sabem o que foi a Guerra Fria, o medo nuclear e a ideia de um mundo dividido fora dos manuais de história. Para fazer um registro histórico para mim mesmo, recuperei alguns vídeos no Youtube:

O “ato falho” do ministro da Alemanha Oriental que precipitou a queda do Muro (infelizmente só achei em alemão):

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A Revolução de Veludo (com uma espécie de resumo em imagens):

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Julgamento sumário e execução de Nicolau Ceausescu e sua esposa Elena na Romênia. Ver esse vídeo com calma e até o final é uma experiência indispensável para quem está estudando direito:

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Uma resposta para “1989-2009

  1. Hmm! Vou procurar por esse livro – que por sinal, não tem no acervo da faculdade, infelizmente – pois pareceu-me bastante intrigante. Principalmente para nós, cuja mídia mostra uma visão americanizada da situação, a exemplo do que vi semana passada na televisão um corajoso falar que “nos livramos de três grandes cânceres: o nazismo, o fascismo e o comunismo”. Vou inclusive aproveitar a champagne do ano novo pra brindar a nossa vida de calmaria e digna proporcionada pelo capitalismo.

    Só digo que é uma pena não poder aproveitar – ainda – os vídeos que colocasse, João. Meu alemão não passa dum chulo mimiquês.

    Forte abraço!

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