Haydn em Recife

Recebi por email essa notícia e fiquei empolgado. Acho linda a “Missa in Angustiis” de Haydn e nunca a vi ser executada pessoalmente. Ao que consta no convide, o concerto é quarta, dia 2/12, às 20h na Igreja da Madre de Deus (Bairro do Recife).

A BRAVO PRODUTORA MUSICAL LTDA, por Alexandre, Letícia e Cristiana Lemos, tem a imensa satisfação em convidar para o concerto BRAVO HAYDN que será realizado nesta cidade do Recife, no dia 02 de dezembro de 2009, às 20:00hs, na Igreja da Madre de Deus, com a participação de cinqüenta e dois músicos, regência do professor e maestro Dierson Torres, tendo como solistas Anita Ramalho, Belani Medrado, Jadiel Gomes e Charles Santos.

O concerto em homenagem ao bicentenário da morte de Joseph Haydn, consistirá na apresentação de peça inédita no Estado de Pernambuco, a “Missa in Angustiis”, também conhecida como “Missa Nelson”.

De Haydn, felizmente, a história corrigiu a posição a que foi relegado no século XIX, como o menor da tríade do classicismo vienense HAYDN-MOZART-BEETHOVEN. Desde o século XX, e estudiosos da música e grandes intérpretes e regentes reabilitaram-no, igualando Haydn à genialidade de Mozart e Beethoven. 

Com extrema acuidade, observa Otto Maria Carpeaux em “O Livro de Ouro da História da Música”, que malgrado não fosse homem de letras, “A suprema inteligência musical de Haydn realizou uma revolução mais profunda que a da ars nova e mais construtiva que a de Monteverde: enterrou a música barroca e iniciou a moderna. A esse respeito é Haydn o mais original de todos os compositores; também o é quanto à invenção melódica.”

A MISSA IN ANGUSTIIS (MISSA NELSON)

A obra de Haydn é vastíssima: concertos, quartetos, sinfonias, missas, oratórios, etc. Das sacras sobressai-se a que será executada nesse concerto: “Missa in Angustiis”, também conhecida como Missa Nelson. Sua beleza e perfeição estrutural destacam-na como uma das mais belas peças sacras já escritas.

Na construção dessa belíssima obra sacra, com duração de aproximadamente quarenta minutos, Haydn abandona a demarcação rígida entre os solistas o coro; de fato, ressalta-se a ausência de separação completa entre árias e coro. Com efeito, ao invés da nítida demarcação de trechos com solistas e dos trechos com coro, muito embora haja solos e coros, eles se combinam, se superpõem, se entrelaçam em combinações as mais variadas, em uma verdadeira orquestração sinfônica.

O apelido que lhe foi dado – “Missa Nelson”-, não tem muito aclarada sua origem. A suposição de que teria sido influenciado pela vitória do almirante inglês sobre Napoleão, na Batalha do Nilo, em 1º de agosto de 1798, a justificar, por exemplo, a fanfarra marcial do “Benedictus”, parece não proceder. De fato, Viena só tomou conhecimento da vitória de Nelson, dias após a conclusão da Missa.

Por isso, mais provável o título lhe ter sido atribuído pela associação imediata que fez o público presente à sua primeira apresentação em 23 de setembro de 1798, entre a recente notícia da vitória, e o “Benedictus”, sem se olvidar o fato de que Nelson, cordial amigo de Haydn, dois anos depois, em setembro de 1800, visitando à Áustria a convite da família Esterházy, assistiu em Eisenstadt, a apresentação dessa magnífica obra musical.

 Ao ouvir-se a “Missa in Angustiis”, malgrado notar-se trechos que revelam a tensão/angústira vivida ao tempo de sua criação (como no “Kyrie”), ante a constante ameaça napoleônica de invasão de sua pátria, não se deixa de observar o espírito extremamente jubiloso de diversas  passagens (“Gloria” e “Dona nobis pacem”, no “Agnus Dei”). Aliás, muito se criticou a alegria que emanava de certas peças sacras de compositores não só de Haydn, como a de Mozart e, posteriormente, a de Rossini. Relembre-se aqui a apropriada resposta que Haydn contrapunha a esse comentário: “Sempre estou alegre quando penso em Deus.”

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