O grupo Baader-Meinhof

Há tempos esperava para ver esse filme, mas consegui finalmente no domingo passado. O Grupo Baader-Meinhof tem o grande mérito de associar uma narrativa extremamente detalhada do ponto de vista histórico – vale como documentário e quase-aula sobre o grupo real – e, ao mesmo tempo, manter um ritmo frenético de ação.

Em filmes sobre terroristas (Paradise Now é o exemplo recente), tenho uma tendência a simpatizar com as teses radicais e compreender o porquê das opções, por mais insanas que pareçam. No entanto, não dá pra assistir esse filme e concordar com a RAF (Rote Armée Fraktion, nome oficial do GB-M). Após desconfiar muito, agora pude perceber o quão nonsense foi esse “euroterrorismo” dos anos 70, incluindo o caso do Battisti. Todas as ações violentas do grupo serviam para liberar presos de outra ação violenta, que tinha base na repressão a outra ação, e, ao final, ninguém tinha uma bandeira concreta. Não é à toa que, até hoje, a Alemanha pune com severidade o incêndio criminoso.

Vale como excelente reflexão sobre os limites da política e da radicalização, além do momento impagável do Andreas Baader num treinamento na Jordânia. Recomendadíssimo.

Visto no Cinema Rosa e Silva, 4 de outubro de 2009.

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3 Respostas para “O grupo Baader-Meinhof

  1. Italo Lins Lemos

    Hmm! Eu tomei conhecimento dessa história pelo livro (que é sensacional, por sinal) mas nem tinha me dado conta de que tinham lançado no cinema. Vou aproveitar o final de semana prolongado pra dar uma olhada nele.

    Como troca, volto a recomentar o filme “Waking Life”, do fabuloso diretor Richard Linklater. Por mais que não tenha uma temática relacionada à obra em questão neste post, é com certeza um “must-have” para os ( poucos) que são atraídos por correntes existencialistas, já que não apenas a abordagem sobre sonhos lúcidos mas a fotografia, são surreais.

  2. direitoesubjetividade

    Ítalo, eu não conhecia esse Waking Life do Linklater, mas fiquei curioso e vou procurar em breve para assistir. Na verdade, fiquei até com um pouco de medo porque, depois de assistir “O Homem Duplo” (com o mesmo efeito especial), saí da sessão passando mal. Rola isso tb?

  3. Italo Lins Lemos

    Bem, ambos os filmes possuem filmagens reais sobrepostas por animações computadorizadas. Mas, o “Waking Life”, talvez por ser mais antigo, conta com uma qualidade técnica mais “crua” se comparada ao “O Homem Duplo”. Embora, na minha opinião, seja um aspecto positivo, já que aquele tem efeitos especiais à lá cartoon, e este, estilo tridimensional.

    “O Homem Duplo”, por sinal, não seria um dos primeiros filmes a vir na minha cabeça em relação a indicações, já que, por mais que o desenvolvimento da história seja até interessante (a questão do próprio combatente às drogas tornar-se um viciado e acabar entrando no sistema de produção de entorpecentes após uma lavagem cerebral), a maneira a qual a idéia do filme foi passada foi um tanto quanto confusa, já que, não sei se você concorda exatamente com isso, os efeitos especiais mais atrapalharam que ajudaram.

    Já em Waking Life, digo justamente o contrário, pois a mensagem é passada com perfeição e, caso haja a necessidade de rever o filme, é pelo fato do conteúdo ser complexo, não por uma falta de clareza cinematográfica. Em relação aos gráficos, posso garantir que não é de dar dores de cabeça.

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