Lula > FHC

Enquanto Lula é considerado mundo afora o maior estadista da atualidade (superando até mesmo a Obamamania em poucos meses de governo desse último), FHC, o deslumbrado, planeja a melhor forma de por fim à sua vergonha e inveja.

O coitado sonhava em ser chamado para dezenas de palestras por milhares de dólares (convites escassos), ser secretário-geral da ONU (mal conseguiu um bico) e ser idolatrado pelo povo brasileiro como o salvador da economia (índice baixíssimo de aprovação e memória). Atualmente, FHC ensaia seu “gran finale”: como disse um colega ontem, abrir a boca com as mãos, ao melhor estilo Didi Mocó, com transmissão ao vivo pelo JN e capa da Veja.

Esse comentário infame serve apenas para introduzir a coluna de Luís Nassif, direta ao ponto:   http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/07/a-cara-do-brasil/

Coluna Econômica 07/10/2009

Em meu livro “Os Cabeças de Planilha”, a partir da observação do dia a dia da economia, procurei desenvolver a tese de como se daria o estalo, o processo que deflagraria a percepção de desenvolvimento nacional e que pudesse vitaminar todo o organismo econômico, tal como ocorreu no governo JK.

Pensava em algo assim:

1. O país vai desenvolvendo, ano a ano, um conjunto cada vez mais amplo de setores modernos.

2. Quando esses avanços são percebidos no seu todo – e por todos os setores -, deflagra-se o movimento modernizador, desperta-se o chamado “espírito animal” na economia.

3. Em algum momento, algum evento político ou econômico daria o tiro de partida, despertando o país para essa nova realidade.

4. Ganharia o galardão de Estadista o político que conseguisse mostrar que o país é composto pela soma de todas as partes, o mercado, o sistema financeiro, as políticas sociais, os movimentos sociais, o agronegócio, a indústria, os cientistas, os gestores, as multinacionais, as pequenas e micro empresas e se transformasse na síntese, conduzindo.

***

A Constituição de 1988 permitira grandes avanços sociais. O governo Collor fizera o trabalho sujo de desmonte do modelo anterior, de redução da dívida pública para patamares civilizados e deixara plantadas as sementes de programas de qualidade, da abertura gradativa da economia. Mesmo aos trambolhões, o governo Itamar Franco manteve a chama da responsabilidade social que emergiu com a Constituinte.

***

FHC pegou o país pronto, uma conjuntura internacional extraordinariamente favorável (com o reposicionamento das multinacionais no mundo), o PSDB tornou-se o pólo de atração de quadros técnicos dos melhores – PUC Rio, FGV São Paulo, FEA.

FHC tinha preparo, história, acesso aos movimentos de esquerda e aos empresários, à academia e à política. Todos os grupos modernizadores, plantados nos anos anteriores, convergiram automaticamente para sua candidatura, em 1994.

Mais que isso, tinha a espoleta política capaz de deflagrar a auto-estima nacional: um plano de estabilização bem sucedido.

Naqueles primeiros anos, o país regurgitava o novo. Estudos eram tirados das gavetas, por todos os cantos havia a esperança da inovação, da mudança de hábitos, da modernização.

***

Foi essa oportunidade histórica que FHC jogou no lixo. O que explica esse desperdício? Em parte, porque sua única obsessão era o chamado controle do Estado – a criação de oportunidades de enriquecimento para novos grupos, através da privatização.

Mas, muito, por conta da extrema falta de compromisso com o país. Era apenas um deslumbrado com o poder. De imediato afastou do Palácio os dois tucanos que poderiam impulsionar o governo – Sérgio Motta e José Serra.

***

Com o tempo, conseguiu descaracterizar completamente não apenas seu governo, mas o próprio PSDB. Tirou do partido a vitalidade inicial, a busca do novo, a visão de conjunto e pragmática sobre o país, a ponto de descaracterizar completamente o próprio José Serra – cuja submissão intelectual e emocional a FHC um dia ainda será objeto de análises mais aprofundadas.

Em busca do tempo perdido – 1

A inação de FHC gerou quinze anos de atraso ao país. Só agora se retoma a trilha perdida, por conta da intuição de Lula. Não é por outro motivo que o ex-Ministro Delfim Netto – que não é de gastar elogio à toa – declarou dia desses que Lula salvou o capitalismo brasileiro. Não se trata de mera retórica. Depois das cabeçadas iniciais, Lula conseguiu entender muito melhor do que FHC a lógica do Estadista.

Em busca do tempo perdido – 2

O caminho passava pela conciliação da nação em torno dos novos valores do desenvolvimento. Ao contrário de FHC – que encontrou o país pronto – Lula precisou construir seu próprio caminho. O primeiro desafio consistia em desarmar seu próprio partido – um amálgama de várias tendências e de vários estilos políticos. Depois das cabeçadas iniciais, quando bateu no fundo do poço – o episódio dos chamados “mensaleiros” – começou a virada.

Em busca do tempo perdido – 3

A crise ajudou a domar as áreas mais radicais do partido. Quem não se enquadrou saiu para montar partidos mais à esquerda. Dentro do governo, Lula abriu espaço para o agronegócio (através do Ministério da Agricultura), para a agricultura familiar (através do Ministério do Desenvolvimento Agrário), para o mercado (através do Banco Central) e para os movimentos sociais (através do Ministério da Integração Social).

Em busca do tempo perdido – 4

Ao mesmo tempo em que imprimia uma política econômica muito ortodoxa, pouco a pouco foi montando a área desenvolvimentista do governo, com o eixo BNDES-Ministério da Fazenda. Demorou para implementar a nova política? Para muitos, demorou. Mas aguardou o tempo político. Quando eclodiu a crise mundial, veio a oportunidade para a mudança na política econômica. Aproveitou-se com um senso de oportunidade único.

Em busca do tempo perdido – 5

No plano político, projetou a imagem de um pacificador inesperado, tendo em conta seu histórico de lutas sindicais pesadas. Apesar de alvo da mais inclemente campanha de mídia que um presidente jamais encarou – mais acirrada e prolongada que a própria campanha do impeachment – jamais radicalizou suas críticas ou se valeu do poder do príncipe para pedir a cabeça de jornalistas – o oposto de alguns adversários.

Em busca do tempo perdido – 6

Por tudo isso, a herança bendita de Lula não foi FHC. Foi o movimento pela qualidade, o pensamento desenvolvimentista, os mercadistas, os que construíram o agronegócios e os movimentos sociais. Em suma, essa grande confluência de setores e fatores que compõem o Brasil moderno. O sindicalista semi-alfabetizado soube entender a complexidade do país muito mais do que o sociólogo consagrado.

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Uma resposta para “Lula > FHC

  1. Você viu a entrevista dele na sua odiada Veja em defesa da legalização da maconha? É, definitivamente você não deve ter visto. Duas coisas que você gostaria de exterminar: FHC e Veja.

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