Brüno

Como havia gostado muito de Borat, estava no mínimo curioso para ver esse Brüno, do mesmo Sacha Baron Cohen. O cara é, na melhor das hipóteses, alguém com uma capacidade incrível de detonar certos dispositivos irracionais que nós sempre julgamos enterrados (antissemitismo em especial), e essa é uma das formas mais intensas de humor (aliás, sobre esse tema, há uma reportagem excelente da última Carta Capital).

No entanto, apesar de reconhecer que Sacha está ainda melhor nessa arte de incorporar personagens até as últimas consequências, achei o filme meio fraco. Não sei se pela perda da novidade, ou pela repetição das mesmas estruturas de Borat sem tanta pegada (ex: rodeio e vale-tudo, almoço com sulistas e casa de swing), mas em poucos momentos há uma provocação real – e, nessas, não rola muita risada. Também não ajuda o fato de todo mundo já saber das melhores partes depois de tanta publicidade em torno dessa figura bizarra.

Talvez o melhor de tudo seja pensar o Brüno como o eterno aus,  que não entende os códigos sociais e não encontra limites para ser reconhecido, ou estar no espaço VIP de qualquer lugar. No fundo, todos somos um pouco dele nessa luta contraditória por visibilidade no meio da massa, mas sem tanta coragem para trocar um bebê por um iPod. Na hora, o mestre Ortega y Gasset me veio à cabeça, e essa é a leitura mais feliz que pude fazer de um espetáculo feio, chato e monótono, embora a genialidade do Sacha como “humorista de nosso tempo” seja evidente.

Visto no Kinoplex Plaza (ainda limpo, mas odeio lugar marcado…)   

 

Anúncios

Uma resposta para “Brüno

  1. Realmente concordo que este filme veio a decepcionar. Me lembrou o filme do outro personagem do Sacha, o Ali-G que era apenas comédia sem intelecto.
    O forte mesmo dele eram as entrevistas, da época que não era tão conhecido assim. Na questão de filmes, acho que ele acabou ficando cansado e não tão original – como se houvesse perdido a genialidade do sutil humor britânico e partido para o apelo da escatologia humorística americana de risadas forçadas.
    Com Ali-G da TV, o Sacha conseguia colocar até mesmo o Secretário geral da ONU para falar asneiras, enquanto agora com o Bruno, depois da fama, não conseguiu constranger ninguém a não ser a si mesmo.
    Ele já havia anunciado a aposentadoria dos seus personagens, agora acho melhor que os aposente mesmo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s